Médica é denunciada pelo MP por morte de paciente após lipoaspiração em consultório no Rio

Carolina Heringer
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A médica Geysa Leal Correa foi denunciada pelo Ministério Público estadual do Rio no dia 26 do mês passado pela morte de uma paciente na qual realizou procedimentos estéticos. A pedagoga Adriana Ferreira Capitão Pinto, que tinha 41 anos, faleceu no dia 23 de julho de 2018, uma semana após ter realizado lipoaspiração e enxerto de gordura nos glúteos.

Geysa foi denunciada pelo crime de homicídio culposo. Para o MP, a médica “deixou de observar o dever objetivo de cuidado que lhe era exigível e, agindo com inobservância das regras técnicas de profissão, com manifesta imperícia e negligência, deu causa à morte de Adriana”. A denúncia ainda não foi recebida pela Justiça, por isso a médica ainda não se tornou ré.

De acordo com a investigação da 77ª DP (Icaraí), Geysa não era habilitada para realizar lipoaspiração. Segundo apurado pela polícia com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e com o Conselho Regional de Medicina, para realização do procedimento é necessário título de especialista na área de cirurgias plásticas. Geysa é especialista em otorrinolaringologia e apresentou diplomas que não a habilitam a realizar o procedimento.

Apesar da falta de habilitação, o procedimento em Adriana foi feito no consultório de Geysa em Icaraí, Niterói, sem qualquer intercorrência aparente. De acordo com os relatos de testemunhas, a pedagoga sentiu apenas um inchaço nas pernas e pés após a intervenção, o que foi comunicado para Geysa e considerado por ela consequência natural da intervenção.

No entanto, na noite de 22 de julho, Adriana começou a sentir falta de ar e já durante a madrugada desmaiou. Levada para o hospital municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, a paciente não resistiu. A causa da morte foi trombose venosa profunda. Pareceres da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e com o Conselho Regional de Medicina enviados à Polícia Civil apontaram que diante dos relatos, Geysa deveria ter encaminhado a paciente para uma emergência médica.

Além da falta de habilitação, a investigação constatou ainda que o local utilizado para realizar o procedimento não foi feito em local próprio, uma vez que a clínica “não apresentava condições mínimas de atendimentos em pacientes que viessem a ter alguma intercorrência médica no seu procedimento cirúrgico”. Em depoimento à polícia, o marido de Adriana, Luiz Fernando Capitão Pinto, insistiu com Geysa sobre a necessidade de fazer o procedimento em um hospital, o que foi refutado pela médica.

Ainda de acordo com perícia que foi realizada, o local era impróprio para a realização dos procedimentos pela falta de controle de limpeza e desinfecção, além de ausência de área própria para descarte de material infectante e de um Centro de Materiais de Esterilização.

A médica foi indiciada pela polícia por homicídio culposo com aumento de pena por "inobservância da regra técnica de profissão". Ela foi denunciada pelo MP pelo mesmo crime.

Geysa continua atuando em um consultório próprio em Icaraí, Niterói. Em seu Intagram, a médica oferece aos seguidores a realização de lipoaspiração. Em postagem de 15 de outubro do ano passado, a própria médica alerta as pacientes que o Conselho Federal de Medicina proíbe a realização de qualquer tipo de lipoaspiração em consultórios, como ocorreu no caso de Adriana.

O EXTRA entrou em contato com o consultório de Geysa na tarde desta segunda-feira. Sua secretária pessoal, identificada como Celita, afirmou que a médica não poderia conversar com a reportagem, uma vez que estava em cirurgia. O EXTRA também entrou em contato com a advogada de Geysa, Luciana Vieira da Rosa Siqueira, que não estava em seu escritório. A reportagem deixou recado com uma secretária, pedindo que fosse feito contato com urgência, o que não ocorreu até a noite dessa segunda-feira.