Médica revela que paciente já se recusou a ser atendido por ela: conheça os protagonistas de 'Falas negras', da Globo

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Por quantos médicos negros você já foi atendido na sua vida? Talvez seja essa a pergunta que o telespectador se faça ao ver no próximo sábado, Dia da Consciência Negra, o especial “Falas negras”, na Globo. A atração traz como protagonistas cinco pessoas que fazem a diferença no país (veja na página). Uma delas é a ginecologista carioca Fatima Oladejo, de 38 anos. Ela tem uma clínica em Resende, no interior do Rio, onde é conhecida. Mas, quando dá plantões em hospitais, ainda é vítima de preconceito.

— Já chego e me apresento: “Sou obstetra”. Isso se tornou um mecanismo de defesa, porque a última coisa que passa na cabeça dos outros é que sou médica. Isso é o mais banal. Tem situações piores. Já fui desacreditada, dei opinião e não fui levada em consideração. Pacientes já pediram para serem atendidos por outro colega. Não vou negar que cansa ter que ficar me reafirmando — conta ela.

Filha de uma assistente social brasileira, Fatima seguiu os passos do pai, um médico nigeriano. Na faculdade, só teve mais dois colegas negros numa turma de 60 alunos. Hoje, porém, ela agradece por estar vivendo num momento em que a representatividade vem aumentando.

— Nesses últimos três anos, tive acesso a muitos outros médicos pretos, formando grupos de apoio mútuo, para troca de experiências e desabafos — explica ela, que atende principalmente mulheres negras em seu consultório: — Elas vêm até mim porque se veem representadas. No meu consultório, tenho um perfil de acolhimento. Então atendo homens trans, mulheres gordas e outras pessoas que tiveram experiências de preconceito.

A médica personifica uma história de esperança e espera que sua trajetória sirva de inspiração para outros negros.

— Enquanto não nos vemos ocupando esses lugares, não associamos uma pessoa preta a um profissional. Tive oportunidades que a maioria dos negros deste país não tiveram e tenho noção do meu privilégio. Mas a mensagem que quero passar é que a partir do momento em que temos as mesmas oportunidades e saímos do mesmo ponto de partida, temos capacidade e potencial para sermos o que quisermos.

Professora especializada em educação quilombola dedica vida ao trabalho

A professora Ana Fernandes, de 35 anos, vive em Vila Bela da Santíssima Trindade, no Mato Grosso. O local é na mesma região onde ficava o quilombo de Tereza de Benguela, de quem Ana se diz, orgulhosamente, herdeira. Formada em Educação Física, ela se especializou em educação quilombola e hoje dá aulas na Escola Estadual Verena Leite de Brito, onde também estudou. A educação é a grande aposta e missão da professora, que celebra a importância do seu trabalho no futuro de seus alunos.

— A minha vida é dedicada à educação que, para mim, é primordial e essencial e devia ser vista com mais atenção e amor. Fico feliz de compartilhar um pouco da minha jornada — destaca.

Chef está à frente de bistrô comunitário em região de manguezal

A chef, estudante de gastronomia e empreendedora Negralinda, de 33 anos, tirou seu sustento da pesca de mariscos durante a maior parte da vida em Ilha de Deus, no Recife, capital de Pernambuco, região que concentra um dos maiores manguezais urbanos do mundo. Hoje, ela está à frente de um bistrô comunitário que carrega o seu nome. Com o negócio, a pernambucana vê a oportunidade de ajudar outras mulheres.

— Esse reconhecimento, com a participação no ‘Falas negras’, é extremamente importante para mim. É a minha história de vida, minha trajetória de luta, resistência e conquistas sendo compartilhada. Espero que as pessoas se identifiquem e possam se inspirar para ser o que quiserem — ressalta.

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Motoboy cria produtora que divulga o trabalho de artistas negros

Crystom Rodrigues, de 21 anos, nasceu e foi criado no Morro da Cruz, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Ele trabalha como motoboy fazendo entregas e se desdobra para ajudar nas despesas de casa e investir na carreira de produtor audiovisual. Crystom é fundador da produtora Justiça Poética, que divulga o trabalho de artistas negros das periferias da capital gaúcha.

— Foi a primeira vez que vi de perto um equipamento profissional. Espero que a minha história e o meu projeto inspirem muitos jovens, para que eles acreditem na luz no fim do túnel e não se distraiam dos seus sonhos — destaca.

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Pedreiro baiano sonha com igualdade como Martin Luther King Jr.

Aos 18 anos, o baiano Geomar Rabelo aprendeu o ofício de pedreiro com seu pai e hoje , aos 32, é concursado na Prefeitura de São Vicente, em São Paulo. Missionário evangélico, Geomar sonha com a igualdade defendida pelo pastor e ativista norte-americano Martin Luther King Jr., uma das suas grandes inspirações.

— Sou um migrante nordestino, operário, pedreiro, uma pessoa na multidão. Apesar de sermos a maioria, nós estamos menos representados nos espaços de poder. Precisamos praticar o amor com ações para que a gente tenha uma sociedade de respeito e não de exclusão — afirma.

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