Médico americano é acusado de fraude multimilionária envolvendo tratamento falso para coronavírus

Uma semana depois de ter sua clínica na região metropolitana de Detroit, no estado do Michigan (EUA), invadida por agentes do FBI, o médico Charles Donald Mok II foi acusado por promotores federais de fraude nos cuidados de saúde, que envolviam tratamentos falsos para o novo coronavírus. De acordo com a imprensa americana, ele usou a pandemia de Covid-19 para cobrar por infusões de vitamina C apresentadas de forma fraudulenta como prevenção e tratamento da doença.

D acordo com a denúncia criminal de 47 páginas, citada pelo "Detroit News", Mok também não utilizou os protocolos apropriados na clínica para minimizar a propagação do vírus. Os registros judiciais relatam que ele tentou aproveitar a oportunidade para roubar pacientes durante a pandemia, chamou outros médicos de "covardes" por fecharem suas clínicas e manteve a sua aberta, com funcionários trabalhando, apesar de resultados positivos para o Covid-19.

"O suposto comportamento de Mok vai além de tirar proveito dos medos que cercam o coronavírus para lucrar ilegalmente", disse Steven D'Antuono, agente especial encarregado do escritório do FBI em Detroit, em comunicado divulgado nesta terça-feira. Mok compareceu ao tribunal federal, sob acusações que podem lhe render até dez anos de prisão, e foi libertado sob fiança de US$ 10.000.

 

 

 

O FBI começou em abril a investigar alegações de fraude na assistência médica fornecida por Mok, relacionada a tratamentos para varizes, conta o jornal. Uma testemunha colaboradora, funcionária do médico, contou que a clínica apresentou ao Medicare (sistema de seguros de saúde gerido pelo governo dos Estados Unidos) guias falsas e fraudulentas de tratamentos de varizes: eram para serviços "irracionais, desnecessários ou que simplesmente não ocorreram".

A clínica também apresentou pelo menos 98 faturas às companhias de seguros, incluindo o Medicare, relacionadas a serviços de terapia para Covid-19: infusões de alta dose de vitamina C em pacientes com risco de contrair a doença e naqueles que tiveram resultado positivo.

"Essas evidências demonstram que, antes e durante a pandemia, Mok se engajou em um esquema para fraudar os EUA por meio da apresentação de relatórios falsos e fraudulentos ao Medicare para pagamentos relacionados ao tratamento de varizes", diz a denúncia: "Ele também usou a pandemia como uma oportunidade para cobrar das seguradoras infusões de vitamina C fraudulentamente apresentadas como tratamentos e prevenção para a Covid-19".

Desde janeiro de 2018, a clínica de Mok enviou faturas ao Medicare no valor de US$ 41,4 milhões em tratamentos e recebeu US$ 12,5 milhões, segundo o "Detroit News".