Médico avalia tratamento do câncer do pai de Anitta: em uma semana, descobriu, operou e ficou '100% curado', segundo cantora

Conhecido como Painitto, Mauro Machado, pai da cantora Anitta, virou assunto nas redes sociais nos últimos dias por causa de problemas de saúde. Ao parar no hospital em decorrência de um AVC, Mauro fez exames médicos que indicaram um câncer no pulmão. Anitta chegou a pedir aos fãs por orações. No último domingo, 5, ele foi submetido a uma cirurgia, celebrada posteriormente pela filha, que disse que o pai estava “100% curado”.

Na internet, porém, o assunto originou um debate: é possível descobrir um câncer no pulmão e, em uma semana, já estar curado? Segundo o oncologista Carlos Gil Ferreira, presidente do Instituto Oncoclínicas, a resposta não é tão simples. Isso porque, apesar de a cura depender da cirurgia, o paciente que é submetido a ela deve ser acompanhado por mais cinco anos.

— Quando a Anitta fala que (o pai dela) está curado, o que ela quer dizer é que ele não vai precisar fazer quimioterapia e imunoterapia, porque a lesão era inicial. Só podemos dizer que um paciente com câncer de pulmão está curado depois de cinco anos de acompanhamento. Isso vale para qualquer câncer. É preciso fazer o monitoramento para garantir que a doença não vai voltar — detalha Carlos Gil Ferreira.

Em conversa com o EXTRA, o médico explica quais são os sintomas iniciais da doença, como é feito o tratamento e quais os principais fatores de risco. Entenda:

1) O que é um câncer no pulmão e quais os sintomas?

Pense como se fossem duas doenças diferentes. No câncer de pulmão do fumante, que representa cerca de 85% dos casos, o paciente já tem tosse ou algum sintoma respiratório, o que, muitas vezes, confunde ou atrapalha. Mas todo fumante que perceber uma mudança no padrão de tosse e falta de ar deve procurar um médico, porque isso pode representar uma nova doença.

Já para o não fumante é um pouco mais complexo, porque ele não tem, como é o caso do pai da Anitta, sintomas respiratórios. Então, qualquer não fumante, independentemente da faixa etária, que tenha sintoma respiratório que dure mais de duas semanas, deve procurar atendimento médico. Os sintomas são: tosse, falta de ar e dor torácica, por exemplo. Esses podem ser alguns alertas para o surgimento de um câncer de pulmão.

2) Há alguma predisposição genética?

Existem algumas síndromes que são hereditárias e que levam ao câncer de pulmão, mas são muito raras. Se você tem casos de câncer de pulmão na família, mesmo que não seja fumante, vale a pena pedir orientação a um profissional especializado, mas não é uma doença sabidamente hereditária.

3) Como é feito o diagnóstico?

O exame determinante é uma tomografia de tórax, que consegue identificar nódulos pulmonares suspeitos. Foi o que parece ter ocorrido com o pai da Anitta. Ele foi internado por outra causa, um AVC, fez uma tomografia de tórax e ali identificou um nódulo suspeito, que foi biopsiado e operado. Na verdade, ele deu uma grande sorte.

4) Como é feito o tratamento?

O ideal, no caso de um câncer de pulmão, seja ele de fumante ou de não fumante, é fazer o diagnóstico nos estágios iniciais, quando a doença está localizada no pulmão. Nesses casos, o tratamento é cirúrgico, ou seja, o que cura o câncer de pulmão é a cirurgia. E, dependendo da análise do material da cirurgia, é avaliado se o paciente precisará fazer quimioterapia e imunoterapia como complemento. Mas esses são complementos, e o que cura o paciente é a cirurgia.

5) O diagnóstico de cura é definitivo?

Hoje, temos o advento de cirurgias que são minimamente invasivas, como a cirurgia de tórax por vídeo ou por robôs. Geralmente, três a quatro dias depois dessa cirurgia, o paciente pode ir para casa. Foi o que aconteceu com o pai da Anitta. Isso é um grande avanço tecnológico. E, se ele não precisar fazer quimioterapia ou imunoterapia, ele ficará sob controle durante alguns anos.

6) Esses tratamentos estão disponíveis para pessoas que têm acesso a um serviço de saúde com muitos recursos. Mas, para a população em geral, como é feito o tratamento?

O paciente que procura um serviço de atendimento primário, como um ambulatório, vai ter o pedido de uma tomografia. Tendo o diagnóstico, ele será encaminhado para um hospital público. Não vai ser em uma semana que tudo será resolvido. Então, existe, sim, um retardo no diagnóstico e no tratamento do câncer de pulmão no sistema público, como existe para qualquer tipo de câncer no Brasil. É uma coisa que precisa ser melhorada.

Por outro lado, é importante frisar que existem centros de tratamento de câncer públicos no Brasil que dão um excepcional atendimento, como o Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Rio de Janeiro, e o Instituto de Câncer do Estado de São Paulo (ICESP). O que acontece é que, muitas vezes, por sobrecarga do sistema público, há um atraso nesse processo, que não é desejável em nenhum tipo de câncer, ainda mais em um câncer de pulmão.

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