Médico brasileiro é detido no Egito após postar vídeos com ofensa sexual a vendedora

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O médico brasileiro Victor Sorrentino foi detido neste domingo (30) acusado de assédio sexual por autoridades do Egito após divulgar em seu Instagram um vídeo no qual ofende uma vendedora muçulmana com frases de cunho sexual.

Sorrentino tem quase 1 milhão de seguidores e tornou seu perfil privado após a repercussão do caso.

No vídeo, Sorrentino conversa em português com uma vendedora de papiros. “Vocês gostam mesmo é do bem duro, né?”, pergunta o médico. “Comprido também fica legal, né? O papiro comprido.” Sem entender o idioma, ela responde que sim, sorri e é alvo de risadas do médico e de seus acompanhantes brasileiros.

Segundo um comunicado do Ministério do Interior egípcio, o médico gaúcho foi detido depois de ter publicado o vídeo, e o caso foi encaminhado à promotoria que cuida do tema. “Nosso sistema de inteligência localizou a vítima e o autor do assédio. Estamos tomando as medidas cabíveis, e ele foi encaminhado à promotoria responsável", diz o texto.

Depois do ocorrido, Sorrentino publicou um vídeo justificando o episódio e dizendo ser “muito brincalhão”.

Na noite de domingo (30), ele fez um post acompanhado de uma foto do interior de um avião, em que diz que a viagem foi "uma imersão sem limites". "Como é bom darmos espaço para novas versões de nós mesmos, para novas conexões, para rever e transcender valores, virtudes, sabedoria", escreveu. "Trago na mala um peso físico e espiritual que ultrapassam inclusive aquilo que um dia tentei imaginar."

Patrícia Sorrentino, uma familiar do médico, publicou um vídeo em seu perfil nas redes sociais dizendo que o brasileiro não foi preso, mas "detido para prestar esclarecimentos às autoridades egípcias" sobre o acontecido. Ela disse que os dois estão em contato e que ele se encontra bem. "Logo, logo vai estar com a gente. A gente está torcendo para que tudo se resolva e logo ele volte."

A reportagem tentou contato com Patrícia, mas ela não respondeu até a publicação desta reportagem.

Sorrentino é defensor do chamado tratamento precoce para a Covid-19 e deu entrevistas defendendo a hidroxicloroquina, medicamento considerado ineficaz para a doença. Os próprios fabricantes do medicamento não recomendam o uso contra o coronavírus, e, em outubro do ano passado, a Organização Mundial da Saúde rejeitou de forma conclusiva e contraindicou "fortemente" a utilização da droga para pacientes com Covid-19.

Um vídeo antigo que voltou a circular agora na internet mostra o presidente Jair Bolsonaro, quando ainda era deputado federal, dizendo que Victor Sorrentino é "mais que um amigo virtual, um irmão de farda e de fé". "Juntos, nós mudaremos o Brasil", afirma.

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