Médico colombiano garante que clínica onde diarista morreu após hidrolipo tinha estrutura

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O médico colombiano Brad Alberto Castrillon SanMiguel, que fez uma hidrolipo na diarista Maria Jandimar Rodrigues, de 39 anos, encontrada morta após o procedimento estético, no último dia 17, no estacionamento de um centro comercial, em Vicente de Carvalho, Zona Norte do Rio, afirmou que a clínica onde Maria Jandimar morreu tinha estrutura para emergência.

Em entrevista ao GLOBO, o cirurgião plástico contou que a decisão de transferir Maria Jandimar foi pelo fato de ela precisar de uma estrutura mais complexa:

— Foi decidido transferir a paciente porque, mesmo tendo na clínica uma estrutura para responder a uma emergência, a paciente precisava de uma estrutura de emergência complexa. No momento em que a paciente estava sendo deslocada, foi pedido o suporte de ambulância. Porém, ao chegar ao estacionamento, a ambulância não tinha chegado. No lugar, encontrava-se um táxi onde ela iria ser transportada. Como ela entrou em parada cardiorrespiratória antes de ser abordado o táxi, comecei as manobras de ressuscitação. Durante 32 minutos. As manobras foram finalizadas pela médica do Samu, que chegou na cena.

Brad Alberto disse ainda que, no vídeo em que aparece a paciente agitada, foi devido ao efeito rebote do sedativo. O cirurgião afirmou também que não é proprietário da clínica e que Maria Jandimar Rodrigues passou por uma avaliação antes do procedimento estético:

— Foi feito um questionário de saúde e pedidos de exames para poder ser realizado o procedimento.

Sobre a declaração da filha da diarista, Brenda Rodrigues, de 21 anos, de que Brad Alberto, ao ser perguntado sobre o que ocorria com Maria Jandimar, teria dito que era apenas um funcionário do prédio, o cirurgião negou:

— No primeiro momento, passei a fatal notícia para a filha. Depois, ela ficou agitada. Em momento nenhum, neguei minha identidade perante os familiares nem as autoridades. Me apresentei e entreguei a identidade para os policiais que chegaram ao local — ressaltando que prestou socorro à vítima. — Sou solidário com a família da paciente, sendo certo que apresentei socorro médico como forma de evitar a ocorrência da morte.

Nesta segunda-feira, em depoimento na 27ªDP (Vicente de Carvalho), Brad Alberto contou ter trabalhado como emergencialista na rede pública do Rio. Ele alegou, entre outras coisas, ter revalidado seu diploma no Brasil e ainda ter prestado serviços em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) estaduais, além de dois hospitais. Num deles, fez pelo menos 200 cirurgias.

Brad Alberto contou ter se formado em Medicina, em 2007, na Colômbia. Em 2016, revalidou seu diploma no Brasil, atestado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 2018, disse ter feito especialização em Cirurgia Geral pela Universidade Federal do Estado do Rio (UniRio). Ele também alegou no depoimento ter concluído, em fevereiro de 2021, pós-graduação em Cirurgia Plástica pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

Embora não tenha detalhado datas, o médico disse que trabalhou nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) estaduais, de Marechal Hermes, Realengo, Bangu, Penha e Ricardo de Albuquerque, tendo inclusive colaborado como chefe de plantão por ter especialização em cirurgia geral. Na esfera estadual, o colombiano alega ainda que atuou também no Hospital Getúlio Vargas, na Penha. Dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde mostram que o nome de Brad aparece como prestador de serviços, em novembro último, nas UPAs de Realengo e Ricardo de Albuquerque. Já em outubro, o nome do colombiano constava na UPA de Bangu.

O médico também disse ter trabalhado no Hospital municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, como cirurgião residente, tendo feito cerca de 200 cirurgias na unidade. No fim de seu depoimento, Brad Alberto teve seu passaporte recolhido pelo delegado Renato Carvalho.

Procurada, a Secretaria estadual de Saúde, responsável pelo Getúlio Vargas e pelas UPAs citadas, ainda não se posicionou sobre o assunto. Já a Secretaria municipal de Saúde, que responde pelo Ronaldo Gazolla, disse que a direção da unidade informou que o médico não trabalhou no hospital em qualquer plantão de 2021. E que o nome do profissional não consta no estabelecimento de saúde, de 2018 para cá. Os registros anteriores ao período não foram localizados para serem examinados.

Além de ser investigado pela morte da diarista, encontrada sem vida na última sexta-feira, pouco depois de sair de sua clínica, o médico também foi apontado por outras duas mulheres, na 27ªDP, como autor de procedimentos estéticos que causaram sequelas nas vítimas. As duas foram ouvidas nesta segunda feira.

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