Médico expõe dados de paciente no Whatsapp ao relatar pedido de voto em Bolsonaro: 'Não tenham vergonha'; vídeo

Um médico sugeriu, em um grupo de um aplicativo de mensagens, que colegas de profissão peçam voto durante as consultas médicas, além de ele mesmo fazer os pedidos — o que é considerado crime eleitoral. O cardiologista Gustavo Baiocchi, que trabalha na cidade de Rio Verde, em Goiás, compartilhou registros em que ele coage pacientes a votarem em Jair Bolsonaro (PL) e não votarem em Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na conversa, ele também mostra uma caneta onde pode ser lido “Jair Bolsonaro presidente 2022”.

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“O cidadão aqui falou que não ia votar. O cidadão tem insuficiência cardíaca, chegou aqui com falta de ar, não conseguia nem falar. Agora ela está sequinho, falando, sorridente. Eu falei para ele: 'eu nunca pedi favor nenhum pra ninguém. Mas para o senhor eu queria pedir, vota.' Ele falou que ia votar”, diz o médico, em um vídeo que ele gravou e enviou a um grupo no Whatsapp.

Em outra mensagem, Baiocchi destaca a proximidade do segundo turno e, sem citar nomes, reitera o apelo para que os colegas “não tenham vergonha” de abordar o assunto durante suas consultas.

“Gente, últimos dias antes das eleições. Sprint final. Não tenham vergonha. Jamais imaginei que postaria política em chats. Mas não quero que meus filhos leiam cartilhas comunas. Não quero que compartilhem banheiros com sexo oposto”, diz o médico, em mensagens no grupo.

Segundo ele, a mensagem seria um apelo aos colegas para que fizessem o mesmo nos últimos dias antes do segundo turno das eleições presidenciais.

“São agraciados com essa caneta. Sigo tentando até as últimas horas virar votos. Posto aqui apenas pra que se inflamem a fazer algo parecido. Pra depois não olhar pra trás e ficar aquela sensação que poderia ter feito algo”, compartilhou Baiocchi.

Procurado, Baiocchi não respondeu o contato da reportagem. Também contactados pela reportagem, a Procuradoria da República em Goiás e o Ministério Público ainda não responderam. O Conselho Regional de Medicina também não se manifestou sobre o caso.

Segundo o Ministério Público, o “uso da máquina pública” para pedir votos, como seria o caso de Baiocchi, é crime, com possibilidade de detenção de 15 dias a 6 meses, além do pagamento de 30 a 60 dias-multa.

“Os serviços, as instalações e os funcionários de qualquer repartição federal, estadual ou municipal, autarquia, fundação do Estado, sociedade de economia mista, entidade mantida ou subvencionada pelo poder público ou que realiza contrato com este, inclusive o respectivo prédio e suas dependências, não poderão ser utilizados para beneficiar partido ou organização de caráter político, sob pena de prática de crime”, diz o MP.