Médico suspeito de abuso de menor é investigado também por mortes de pacientes em cirurgia no AM

RIO — A Polícia Civil do Amazonas instaurou três inquéritos para investigar o médico Edson Ritta Honorato, de 67 anos. O gastroenterologista, que atende em Manaus, é acusado de negligência durante procedimentos cirúrgicos que resultaram nas mortes de dois pacientes, neste ano. Em abril, ele também chegou a ser preso por favorecimento à prostituição de menores, mas foi solto no dia seguinte.

As condutas adotadas por Honorato também são objeto de apuração administrativa pelo Conselho Regional de Medicina. De acordo com os parentes dos pacientes mortos, o médico realizou procedimentos para colocação de balões gástricos sem pedir exames de risco cirúrgico e não ofereceu o suporte necessário para uma cirurgia segura.

Nos dois casos denunciados, o desfecho do procedimento cirúrgico foi o óbito do paciente. O primeiro deles ocorreu em 5 de fevereiro deste ano. Na ocasião, a jornalista e bacharel em Direito Melina Seixas Taveira, de 38 anos, foi submetida à cirurgia.

— Eu pedi para acompanhar a cirurgia, mas ele não deixou, disse que era um procedimento simples, que levava de 20 a 30 minutos, feito com sedativos, sem anestesia. Mas começou a demorar e disseram que a Melina estava bem, dormindo. Quando eu vi os socorristas do Samu já estavam entrando na sala e foi ali que percebi algo errado — afirmou o servidor público Darlan Taveira Peres, de 38 anos, marido da jornalista.

Peres conta que nesse momento se levantou da cadeira e ficou desesperado. Ele chegou a tentar entrar no consultório e viu Melina deitada no chão, com o corpo roxo e sem nenhum equipamento por perto, nem mesmo uma máscara de oxigênio.

— Pediram para eu sair para fazerem reanimação. Isso demorou cerca de 40 a 50 minutos. No prontuário do Samu diz que fizeram 15 sessões de massagem cardíaca. Quando retiraram a Melina, o elevador não comportava a maca. Ela teve que descer sentada em uma cadeira de rodas. Depois disso, o médico sumiu, não falou conosco, não nos procurou — disse Peres.

Melina foi levada da Clínica Endongastro de Manaus para o Hospital Pronto Socorro 28 de Agosto, também na capital amazonense. Ela morreu após sofrer outras quatro paradas cardíacas.

— Ele foi negligente, imprudente, irresponsável e cheio de imperícia — desabafou Peres.

Segunda morte

Honorato continuou atendendo e realizando colocações de balões gástricos depois da morte de Melina. E em 6 de abril, outro paciente do médico morreu após fazer esse mesmo procedimento. Dessa vez, a vítima foi o servidor público Alan Leite Braga, de 65 anos.

A família de Braga afirmou, em entrevista à imprensa de Manaus, que o paciente já saiu do consultório passando mal. E que o servidor público vomitou um líquido azul e depois sangue quando ainda estava na recepção da clínica.

Os parentes de Braga relataram que ele inclusive voltou ao consultório para pedir a remoção do balão gástrico, pois não suportava mais as complicações pós-cirúrgicas. No entanto, o médico teria se negado.

A conduta do médico é investigada pelo delegado Thomaz Vasconcelos, titular do 22° Distrito Integrado de Polícia (DIP). Em nota, o Conselho Regional de Medicina informou que Honorato é alvo de uma apuração administrativa "nos termos do Código de Processo Ético-Profissional".

Prostituição de menores

Em 5 de abril deste ano, Honorato foi preso em flagrante por favorecimento à prostituição praticado contra uma adolescente de 16 anos, em um condomínio de Manaus. O médico foi detido após dois meses de investigação sobre um homem que mantinha encontros amorosos com adolescentes.

Na ocasião do flagrante, Honorato havia entrado em um condomínio com uma jovem "visivelmente menor de 18 anos", afirmou a delegada Joyce Coelho, titular da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), em entrevista coletiva.

O médico alegou que a adolescente tinha sido contratada para fazer limpeza doméstica. Mas a vítima informou aos policiais que recebia dinheiro para manter relações sexuais com Honorato.

Procurado por O GLOBO, o médico não se manifestou até a publicação da reportagem.

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