Médicos defendem a aplicação da 3ª dose em pessoas acima dos 60 anos

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**ARQUIVO*** SUZANO, SP, 10.04.2021 - Vacinação contra a Covid-19 em São Paulo. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
**ARQUIVO*** SUZANO, SP, 10.04.2021 - Vacinação contra a Covid-19 em São Paulo. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Nesta quarta-feira (25), o governo federal e o governo de São Paulo anunciaram a aplicação da terceira dose da vacina contra a Covid-19 em pessoas acima dos 60. Enquanto o Brasil inicia a imunização a partir do dia 15, o governador João Doria (PSDB) anunciou que começará em 6 de setembro.

Médicos especialistas no tema defenderam a importância da dose extra para aumentar a imunidade da faixa etária.

"A vacina vai perdendo um pouco de eficácia com o decorrer dos meses, principalmente nos idosos após o sexto mês, e a terceira dose vem como um reforço vacinal para essa população", diz Guilherme Furtado, líder médico da Infectologia do Hcor, de São Paulo.

São Paulo vai vacinar todas as pessoas acima de 60 anos, enquanto o Ministério da Saúde anunciou que vai aplicar, a princípio, em idosos com mais de 70 anos e em imunossuprimidos no Brasil.

No caso dos idosos, eles devem ter tomado a segunda dose há mais de seis meses. Já os imunossuprimidos (pessoas transplantadas, por exemplo) que já tomaram a segunda dose da vacina há 21 dias poderão receber o reforço.

"Os idosos, além da questão da idade, perdem imunidade mais rápido por terem muito mais comorbidades e já serem um grupo mais vulnerável à Covid-19", afirma Artur Brito, infectologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Estudos têm apontado também a necessidade da terceira dose para ampliar a imunidade diante de novas variantes do vírus. Algumas delas, como a delta, podem até tornar a imunidade de rebanho impossível, segundo especialistas.

"As vacinas não protegem contra o fato de a pessoa contrair e transmitir a Covid-19, sobretudo com a variante delta. Isso significa que nós temos que rever a estratégia porque não teremos uma imunidade de rebanho através da vacina que nos autorize a suspender medidas não farmacológicas, de isolamento, mascaramento e ventilação", ressalta Sérgio Zanetta, médico sanitarista e especialista em Saúde Pública.

Segundo Doria, 900 mil pessoas devem receber a terceira dose de imunização no estado de São Paulo. Ela será aplicada a todos com mais de 60 anos, independentemente do imunizante que tenham recebido antes.

"É até melhor usar uma vacina com tecnologia diferente para provocar uma reação imunológica mais forte nessa terceira dose", destaca Sérgio Zanetta.

Nas últimas semanas, houve um aumento dos casos e mortes de idosos que já receberam as duas doses no Brasil. Também já representam a maioria dos internados em UTIs de Covid em hospitais privados e da rede pública na capital paulista.

O Rio de Janeiro, por exemplo, registrou um aumento de 73% de mortes de idosos vacinados. "A terceira dose vai dar um aumento do número de anticorpos nos idosos, que foram vacinados há mais tempo, e provavelmente vai diminuir o número de internações e óbitos nessa população", afirma Guilherme Furtado.

Segundo o médico Artur Brito, estudos de Israel e Estados Unidos mostram que idosos com mais de 60 anos que tomaram a terceira dose voltaram a ficar tão protegidos quanto os idosos antes da variante delta com duas doses. "É de se esperar que vacinando idosos com a terceira dose tenhamos uma queda no número de óbitos e internações nessa população", diz.

Além de idosos e imunossuprimidos, Sérgio Zanetta defende que o governo já se planeje para aplicar a terceira dose nos profissionais da saúde, principalmente com o aumento de casos da nova cepa;

"A terceira dose deveria acontecer nos profissionais de saúde para que não se perca essa força de trabalho que vai ser necessária para enfrentar a nova onda da variante delta, mesmo que ainda não tenha atingido a grande magnitude que vamos ver", afirma.

"O grupo inteiro de idosos e profissionais da saúde da linha de frente é de cerca de 10 milhões de pessoas, em uma semana a gente resolve esse problema no país com a vacina da Pfizer. Vai ser a primeira medida antecipatória que tomaríamos prevendo o problema que vai surgir em breve", completa Zanetta.

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