Médicos, enfermeiros e auxiliares são homenageados nas UTIs da Espanha

Por Thomas PERROTEAU
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Trabalhadores do hospital La Princesa de Madri aplaudem após um minuto de silêncio, em 30 de abril de 2020

Os aplausos ecoaram nesta quinta-feira nas unidades de terapia intensiva da Espanha, onde os médicos prestaram homenagem a seus colegas enfermeiros e auxiliares no quarto país do mundo com mais mortes devido ao novo coronavírus.

"Há pessoas da equipe que, de tempos em tempos, desmoronam um pouco e temos que nos apoiar mutuamente, para que eles voltem à luta, pessoas que ficaram de licença porque foram infectadas", explicou nesta quinta-feira à AFP o médico Alfonso Canabal, chefe de terapia intensiva do Hospital La Princesa, em Madri.

Protegido com luvas e máscara, este médico de 55 anos acaba de sair de sua unidade, onde respondeu ao pedido da Sociedade Espanhola de Medicina Intensiva para prestar homenagem ao meio-dia (horário local) a seus colegas nas UTIs do país.

"Entramos todos os médicos nos módulos de surpresa, eles não estavam esperando (os outrosfuncionários). Começamos a aplaudir. Eles adoraram. Eles nos devolveram aos aplausos", conta o médico.

Inúmeros vídeos gravados em outras unidades de terapia intensiva circularam pelas mídias e redes sociais.

- Paciente também aplaude -

"Houve um paciente que também aplaudiu", disse o médico. "Gostei muito, foi muito, muito emocionante e um momento de relaxamento, é necessário", acrescentou.

Ao mesmo tempo, em outra ala deste hospital no centro da capital, os trabalhadores do serviço de emergência formaram uma fila na rua para fazer um minuto de silêncio antes de aplaudir, um ritual que eles repetem desde a última quinta-feira.

Embora "muito menos pessoas doentes cheguem à sala de emergência e as salas estejam sendo esvaziadas de pacientes da Covid", "na verdade houve muitas vítimas e acho magnífico o detalhe dos médicos de emergência em fazer aquele minuto de silêncio", diz Canabal.

- "Uma certa normalidade" em um mês -

Madri é a região mais afetada pela pandemia, com quase um terço dos pacientes em terapia intensiva no país, segundo dados publicados nesta quinta-feira pelo Ministério da Saúde.

A pressão no hospital como um todo foi reduzida, mas "não na UTI, será sempre o último lugar para parar de ter leitos ocupados na pandemia", explica Canabal.

Por isso, segundo ele, "é muito importante que não tenhamos um novo surto agora e que sejamos muito responsáveis com as medidas de libertação do confinamento" planejadas progressivamente até o final de junho.

"Isso é vital, porque agora também temos de tratar outras patologias que não foram tratadas porque todo o hospital foi dedicado ao COVID", insiste o médico. Se a tendência continuar, ele espera "ter uma certa normalidade dentro de aproximadamente um mês"