Médicos que foram ajudar Nova York a combater o coronavírus tinham vidas monitoradas e não podiam fazer sexo

O socorrista James Richard é o autor do processo contra a Ambulanz

Médicos de outros estados americanos que foram ajudar Nova York a combater o novo coronavírus quando a doença devastou a cidade, em março, eram constantemente vigiados por GPS pela companhia que os empregava - e até tiveram suas vidas sexuais restritas. É o que diz uma ação coletiva movida no Tribunal Civil do Brooklyn e divulgada pelo jornal "New York Daily News", exigindo pagamento prometido e não efetuado.

Os socorristas e paramédicos que trabalharam na Ambulnz, companhia contratada pela Agência Federal de Gestão de Emergências (Fema, na sigla em inglês) para fornecer serviços de ambulância, tiveram suas vidas inteiramente policiadas pela empresa ao estilo Big Brother, alega o processo: "Além de exercer o controle total dos movimentos e do paradeiro do demandante e outros socorristas e paramédicos na mesma situação, a Ambulnz controlou ainda mais suas atividades, inclusive proibindo-os de consumir álcool ou praticar qualquer atividade sexual enquanto estivessem no hotel, a fim de permanecer 'de plantão' para qualquer emergência".

 

 

 

James Richard, o principal demandante no caso, morador do Tennessee, diz que trabalhou em turnos de 12 horas e sete dias por semana com a promessa de que seria pago por 24 horas por dia, sete dias por semana, uma vez que o cargo exigia estar de plantão a qualquer hora. Mas reclama que a companhia não cumpriu o combinado.

"A Ambulnz prometeu a socorristas e paramédicos pagamento por 24 horas por dia, sete dias por semana, mas não cumpriram com a palavra quando eles foram enviados a Nova York", afirmou Sally Abrahamson, que representa Richard no caso, ao jornal: "Eles não ganharam, nem esperavam ganhar, uma quantia exorbitante de dinheiro. Mas eles colocaram suas vidas em risco e merecem receber o que lhes foi prometido e o que a lei exige".

 

 

 

Depois dos turnos, Richard reclama que os médicos não eram autorizados a voltar ao hotel por conta própria, sendo forçados a esperar por um ônibus da empresa ou da Fema para transportá-los. Quando não estavam trabalhando, eram obrigados a permanecer em seus quartos de hotel sob pena de suspensão ou rescisão, de acordo com o processo. A companhia supostamente monitorou os movimentos dos trabalhadores colocando um segurança no saguão do hotel, além de exigir que os paramédicos usassem celulares com GPS.

"A Ambulnz verificou suas práticas de remuneração para nosso contrato de resposta Covid-19 na cidade de Nova York com dois escritórios de advocacia trabalhistas independentes e de primeira linha", disse a empresa em comunicado publicado pelo "Daily News": "Ambas as empresas confirmaram que nossas práticas de folha de pagamento excederam o valor exigido por lei. Estamos completamente confiantes na exatidão de nossa posição e acreditamos que esse processo não tem mérito".