OMS: 1 de cada 4 universitários chineses se sentiu deprimido alguma vez

Pequim, 7 abr (EFE).- A Organização Mundial da Saúde afirmou nesta sexta-feira que um a cada quatro universitários chineses se sentiu deprimido alguma vez e mostrou sua preocupação com a estigmatização das doenças mentais, não só na China, mas no mundo todo.

"Estudos revelaram que 25% dos universitários chineses reconheceram ter sentido alguma vez sintomas de depressão (...), e são o futuro de todos nós", disse nesta sexta-feira à Agencia Efe Bernhard Schwartländer, representante da OMS na China, durante uma passeata realizada hoje em Pequim pelo Dia Mundial da Saúde.

Neste ano, a data é dedicada à depressão, que segundo o analista ainda é pouco conhecida: "As pessoas não sabem que é uma doença, seu conhecimento é insuficiente, se limitam a falar com outros para irem ao médico em busca de ajuda", acrescentou.

Para Schwartländer o fator principal é a estigmatização das doenças mentais - não só na China, mas no mundo todo - que geram "incompreensão" entre os amigos e parentes de quem as sofre.

"Muitos chamam de preguiçosos os que sofrem de depressão porque não a consideram uma doença de verdade, mas ninguém pensa em dizer isso a um doente de gripe ou de câncer", afirmou.

Mais de 400 pessoas participaram da passeata de cinco quilômetros, chamada "Andar e falar", entre representantes de instituições públicas, governamentais, ONGs, estudantes de psicologia e acadêmicos de saúde mental.

O diretor do Instituto de Saúde Mental da Universidade de Pequim, Lu Lin, afirmou em declarações à Efe que o governo "está prestando mais atenção nas pessoas com problemas mentais para que recebam o tratamento adequado".

Lu destacou os esforços de diferentes organizações para oferecer uma melhor assistência aos doentes mentais pelo sistema público de saúde.

Por sua vez, um membro do Centro de Pequim de LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais), que preferiu se identificar, ressaltou durante a caminhada que os problemas mentais são comuns neste grupo pela rejeição da sociedade, que considera muitos como doentes".

"Além disso, existe a pressão social que sofrem simplesmente por terem uma identidade sexual diferente", acrescentou.

A China elaborou sua primeira lei sobre saúde mental em 2012, que entre outras medidas "desaconselhava" internar este tipo de pacientes contra de sua vontade, após tornarem-se públicos vários casos de doentes mentais confinados em celas por suas famílias.

No final do ano passado, o Conselho de Estado lançou uma política que tipificava a depressão e a ansiedade como doenças mentais, depois que o gigante asiático registrou mais de 50 milhões de doentes por depressão em 2015, segundo dados da OMS.

A mesma organização revelou em fevereiro deste ano que pelo menos 322 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão, 18% a mais do que há uma década, e outros 264 milhões sofrem transtornos de ansiedade, um aumento de 15% em relação a dez anos atrás. EFE