México inicia campanha para eleições intermediárias em meio à violência

Sofia MISELEM
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Félix Salgado Macedonio, acusado de estupro por várias mulheres, cumprimenta seus apoiadores no início de sua campanha como candidato a governador do estado de Guerrero, em Acapulco, México, em 13 de março de 2021

O México inicia neste domingo a campanha por uma eleição intermediária precedida pelo assassinato de dezenas de políticos, e chave no projeto do presidente de esquerda Andrés Manuel López Obrador.

Com o partido no poder como favorito, cerca de 94,4 milhões de mexicanos são chamados a votar, em 6 de junho, para 500 cadeiras na Câmara dos Deputados federal e quase 20.000 cargos estaduais, incluindo 15 dos 32 governadores.

Desde setembro passado, quando começaram as primárias partidárias, 15 pré-candidatos e um candidato foram assassinados, segundo a consultoria Etellekt.

Nesse período, outros cinquenta políticos também foram baleados, segundo o governo, que atribui esses fatos a traficantes de drogas e outros grupos criminosos.

López Obrador, no poder desde 2018, chega a evocar a existência de um "partido do crime organizado" que buscaria expandir seu poder por meio de homicídios, sequestros e financiamento de campanha.

No México, há uma dezena de cartéis e gangues do narcotráfico que se dedicam ao roubo de combustível, à venda a varejo de drogas e ao contrabando de migrantes, entre outros.

O analista político Hernán Gómez Bruera estima que todos os partidos estariam infiltrados pelo crime, especialmente no nível municipal, sem necessariamente o envolvimento de seus líderes.

“Em alguns estados ou municípios (...) o crime organizado sem dúvida tem seus 'candidatos' e por isso essas disputas”, explica.

Nas eleições de junho, estará em jogo a atual maioria absoluta do partido governante Morena (metade mais um dos deputados), o que lhe permite aprovar leis ordinárias.

Mas López Obrador requer maioria qualificada (dois terços) para aprovar eventuais reformas constitucionais que ampliem o papel do Estado em setores estratégicos como energia e hidrocarbonetos.

Será a maior eleição da história do México, após modificações para que as eleições federais e estaduais convirjam.

Entre os canditados mais polêmicos está Félix Salgado, acusado de abuso sexual e que luta na Justiça para manter sua candidatura a governador de Guerrero (sul).

Morena manteria o controle da Câmara dos Deputados com 42% dos votos, acima da conservadora Ação Nacional (PAN, 17%) e do antigo hegemônico PRI (16%), estima a firma Oraculus.

Além da violência, outro desafio será desenvolver a eleição em meio à pandemia da covid-19. No México, com 126 milhões de habitantes, a votação é feita pessoalmente e em um único dia, o que pode acentuar a abstenção habitual no meio.

O México é o terceiro país mais afetado pelo coronavírus em números absolutos, com quase 204.000 mortes.

As autoridades recomendam que os comícios tenham capacidade controlada, mas alguns candidatos, principalmente de pequenas comunidades, são exibidos nas redes sociais liderando grandes encontros.

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