México inicia voos de repatriação voluntária de migrantes haitianos

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Nesta foto do Instituto Nacional de Migrações do México mostra membros da Guarda Nacional mexicana acompanhando o embarque voluntário de haitianos rumo a Porto Príncipe no aeroporto de Villahermosa, México, em 29 de setembro de 2021 (AFP/-)

O México repatriou um primeiro grupo de 70 haitianos nesta quarta-feira (29), como parte de um plano de retorno voluntário coordenado com Porto Príncipe para lidar com a crise desencadeada por uma onda de migrantes sem documentos para os Estados Unidos.

Os migrantes - 41 homens, 16 mulheres e 13 menores - partiram da cidade de Villahermosa (estado de Tabasco, sudeste) em direção a Porto Príncipe, capital do Haiti, detalhou o Instituto Nacional de Migração do México (INM) em nota.

Ambos os governos concordaram em "iniciar o retorno voluntário assistido de migrantes estabelecidos no México para seu país de origem", acrescenta o texto.

Os estrangeiros permaneceram na Cidade do México, assim como nos estados de Hidalgo, México (centro) e Tabasco, indicou a instituição.

O início da repatriação do México ocorre dias depois de o governo dos Estados Unidos realizar deportações em massa, entre os quase 15 mil haitianos que acampavam sob uma ponte na fronteira entre as cidades de Del Río (Texas, EUA) e Acuña (México).

O acampamento atraiu atenção mundial devido às cenas de haitianos cruzando o rio Grande, carregando seus filhos e pertences, e enfrentando uma dura repressão dos guardas de fronteira americana.

De acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), cerca de 3.500 haitianos foram deportados entre 17 e 27 de setembro para seu país de origem pelos serviços migratórios dos EUA.

Washington indicou, no entanto, que também liberou em seu território 12.400 migrantes - a grande maioria haitianos - que foram detidos na fronteira para que possam dar seguimento a seu pedido de asilo e que podem liberar mais, segundo o secretário de Segurança Nacional, Alejandro Mayorkas.

- Mais de 13 mil pedidos de refúgio -

Essas ações fazem parte dos acordos alcançados em uma mesa de diálogo entre representantes do México e do Haiti, instalada em 21 de setembro, “para atender às necessidades das pessoas de origem haitiana localizadas em território nacional”, explicou o INM.

O chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, disse que muitos dos haitianos não podem solicitar o status de refugiado no México porque já o receberam em outros países.

Apesar disso, a Comissão Mexicana de Apoio ao Refugiado (Comar) está processando solicitações de 13.255 cidadãos haitianos, acrescentou o ministro das Relações Exteriores durante uma apresentação perante o Senado mexicano na terça-feira.

Enquanto isso, o governo do México organizou um estádio na terça-feira na cidade de Tapachula, próximo à fronteira sul com a Guatemala, para atender aos pedidos de asilo de milhares de migrantes que entram no país por esse ponto.

Dezenas de milhares de haitianos foram protagonistas, nos últimos três meses, de um êxodo que cruzou o continente de lugares distantes como Chile e Brasil para realizar o sonho de chegar aos Estados Unidos em busca de asilo.

Diante da recusa de Washington em recebê-los, muitos deles estão optando por refugiar-se no México e buscar oportunidades no país latino-americano, dado o caos que reina em seu país, um dos mais pobres e conflituosos do Hemisfério Ocidental.

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