México prende Ovidio Guzmán, filho de “El Chapo”, em noite de violência

Ovidio Guzmán ao ser preso pelas forças de segurança do México em outubro de 2019

Por Lizbeth Diaz e Dave Graham

CIDADE DO MÉXICO, 5 Jan (Reuters) - O líder mexicano do narcotráfico Ovidio Guzmán, filho do chefão do crime organizado Joaquín “El Chapo” Guzmán, que está detido nos Estados Unidos, foi preso pelas autoridades mexicanas, disseram cinco fontes com conhecimento do assunto à Reuters nesta quinta-feira.

As notícias da captura chegaram após uma noite de violência na cidade de Culiacán, no Estado de Sinaloa, ao norte do México, casa do cartel de drogas com o mesmo nome que é uma das mais poderosas organizações de tráfico de drogas do mundo.

Ovidio, que se tornou uma figura central no Cartel de Sinaloa após a prisão de seu pai, fora detido brevemente em 2019 por forças de seguranças, mas acabou rapidamente solto para encerrar uma represália violenta da sua gangue, em um recuo vergonhoso para as autoridades mexicanas.

Desta vez, ele foi detido dias antes de uma cúpula de líderes da América do Norte na Cidade do México na próxima semana, com a presença do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que terá questões de segurança na agenda.

Uma das autoridades mexicanas disse que a prisão de Guzmán deve ser um acréscimo bem-vindo à cooperação entre EUA e México na questão da segurança antes da visita de Biden.

Os EUA ofereceram uma recompensa de 5 milhões de dólares por informações que levassem à prisão ou condenação de Ovidio.

Um surto de mortes por overdose nos Estados Unidos, alimentado pelo opioide sintético fentanil, gerou uma pressão maior sobre o México para combater as organizações --como o Cartel de Sinaloa-- responsáveis por produzir e transportar a droga.

Para Tomas Guevara, especialista de segurança da Universidade Autônoma de Sinaloa, a prisão de Guzmán ajuda a melhorar a imagem das agências policiais do México após a humilhação de ter que liberar o filho de El Chapo em 2019.

Pode também anunciar uma mudança de abordagem do governo, acrescentou Guevara, após críticas de muitos especialistas de segurança de que o presidente Andrés Manuel López Obrador estava pegando leve com os cartéis -- uma acusação que ele nega.

O presidente argumenta que as táticas de confronto de seus antecessores não foram bem sucedidas e apenas causaram mais derramamento de sangue. Disse que, ao contrário, buscaria uma estratégia de “abraços, não balas”.

Na manhã desta quinta-feira, as forças de segurança estavam tentando conter uma reação violenta à prisão na região de Culiacán por parceiros de Guzmán, disse a mesma autoridade.

O aeroporto da cidade foi fechado e continuará assim até a noite de quinta-feira. Um voo da Aeroméxico que deveria partir nesta quinta de Culiacán foi atingido por uma bala e suspenso, mas clientes e funcionários estão seguros, disse a companhia aérea.

O governo local orientou o povo a não sair às ruas e disse que escolas e escritórios administrativos foram fechados por causa da violência. Vídeos não verificados nas redes sociais parecem mostrar forte tiroteios, incluindo de helicópteros, durante a noite. Bloqueios nas ruas também foram erguidos.

Joaquín Guzmán, de 65 anos, foi condenado em Nova York em 2019 por traficar bilhões de dólares em drogas aos Estados Unidos e conspirar para assassinar inimigos. Ele cumpre pena de prisão perpétua na Supermax do Colorado, a mais segura prisão federal dos EUA.

(Reportagem de Lizbeth Diaz, Dave Graham e Diego Ore, reportagem adicional de Tomas Bravo)