México recebe novo grupo de 124 jornalistas e seus familiares do Afeganistão

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Quatro integrantes da equipe de robótica afegã

O México recebeu, nesta quarta-feira (25), um grupo de 124 pessoas composto por repórteres que trabalhavam no Afeganistão e seus familiares, horas depois de receber cinco jovens afegãs de uma equipe de robótica premiada internacionalmente, todos retirados após a tomada de poder pelos talibãs.

"São pessoas que estão arriscando suas vidas para informar, comunicar, estão comprometidas com a liberdade de expressão, com a liberdade e a independência da comunicação", disse o chanceler Marcelo Ebrard, durante um ato de boas-vindas dos jornalistas no aeroporto da Cidade do México.

O grupo, formado por trabalhadores de diversos veículos de comunicação que trabalham em Cabul, chegou ao México após 20 horas de voo desde Doha em um avião da Força Aérea do Catar, onde também viajaram crianças, segundo imagens divulgadas pela Chancelaria.

Na recepção, Michael Slackman, diretor de Notícias Internacionais do jornal The New York Times, pediu à comunidade internacional para seguir o exemplo do governo mexicano "e continuar trabalhando a favor dos corajosos jornalistas afegãos que ainda estão em perigo".

Os custos da viagem e de manutenção durante sua estadia no México "serão cobertos por patrocinadores privados e organizações da sociedade civil", disse a chancelaria em nota, sem mais detalhes.

Horas antes, o governo mexicano recebeu também cinco jovens afegãs integrantes de uma equipe de robótica de cerca de 20 adolescentes que foi premiada internacionalmente.

As autoridades do ministério das Relações Exteriores do México não as identificaram diretamente por motivos de segurança. Quatro delas participaram de uma coletiva de imprensa, com os cabelos parcialmente cobertos por um véu e com uma máscara de proteção contra a covid-19.

“Não apenas salvaram nossas vidas, mas também nossos sonhos que buscamos tornar realidade (...). Nossa história não vai acabar triste por causa dos talibãs”, disse uma das jovens por meio de uma tradutora.

A menina disse que a equipe feminina de robótica mostrou que as mulheres também são capazes de fazer ciência no Afeganistão.

“Agora que o Talibã assumiu o poder, a situação não é mais favorável par nós (...) Neste regime nós, meninas, temos dificuldades (...) é por isso que estamos gratas por estar aqui”, acrescentou.

As mulheres, explicou a chancelaria mexicana, poderão ter acesso ao visto humanitário por até 180 dias com direito a renovação ou poderão escolher o status de sua preferência. O companheiro de uma das meninas também teve o refúgio concedido.

“A proteção dos valores fez com que nos comprometêssemos para que elas estejam no México (...) queremos dizer-lhes de todo o coração: vocês estão em casa”, disse Ebrard.

O refúgio foi concedido graças à intervenção de uma organização civil, os voos foram custeados com doações através de uma instituição mexicana, não identificada por motivos de segurança, e as jovens receberão hospedagem e alimentação gratuitas.

As meninas, que são conhecidas como "as sonhadoras afegãs", ganharam um prêmio especial no campeonato mundial de robótica de 2017 e recentemente criaram um novo respirador para pacientes afetados pela covid-19 a partir de peças de carros antigos.

De acordo com reportagens da imprensa, outras integrantes conseguiram deixar aquele país na última semana.

O México anunciou dias atrás que estava processando solicitações de refugiados de afegãos, especialmente mulheres e meninas, depois que o Talibã chegou a Cabul, após a retirada das tropas americanas.

Há o temor de que a brutalidade que marcou o regime que governou o Afeganistão entre 1996 e 2001 e forçou as mulheres a permanecerem confinadas em suas casas retorne.

O México tem uma longa tradição de concessão de refúgio e já recebeu personalidades como o revolucionário russo Leon Trotsky e perseguidos políticos da Espanha e de países sul-americanos.

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