França presta homenagem a gendarme assassinado após ser trocado por refém

Paris, 28 mar (EFE).- A França rendeu nesta quarta-feira uma homenagem solene ao gendarme Arnaud Beltrame, que foi assassinado após ter se voluntariado na sexta-feira passada para ser trocado por uma mulher que o terrorista Redouane Lakdim mantinha como refém em um supermercado de Trèbes, no sul do país.

"(Beltrame) era um desses filhos que a França se orgulha de ter", disse o presidente francês, Emmanuel Macron, na homenagem oferecida no Palácio dos Inválidos, que reuniu o conjunto do Executivo e os ex-presidentes François Hollande e Nicolas Sarkozy, junto com parentes e representantes políticos e militares.

Após um minuto de silêncio às 10h locais (6h em Brasília) em todas as gendarmarias e delegações do governo do país, assim como no Palácio do Eliseu e no Ministério do Interior, o corpo chegou ao Palácio dos Inválidos num cortejo fúnebre que partiu do Panteão parisiense.

Beltrame aceitou ser trocado pela mulher, segundo Macron, "porque se arrependeria eternamente se não tivesse feito isso".

"A exemplaridade estava no seio de seu compromisso", destacou o presidente sobre o agente, a quarta vítima mortal de Lakdim no triplo ataque registrado em Carcassonne e Trèbes, no qual outras 15 pessoas ficaram feridas.

O coronel, nomeado hoje como comandante da Legião de Honra a título póstumo, encarnava segundo Macron "o espírito de resistência dos franceses", daqueles que decidiram que valia a pena dar sua vida pela sobrevivência da liberdade e da fraternidade.

"Que o seu compromisso nutra a vocação de toda a nossa juventude", afirmou o presidente, para quem a ameaça terrorista que pesa sobre o país está protagonizada também por um "islamismo subterrâneo, que avança através das redes sociais e atua clandestinamente sobre mentes frágeis e instáveis".

Um inimigo, acrescentou Macron, que requer de cada cidadão exigência e civilidade.

A homenagem feita hoje à coragem de Beltrame ofereceu uma trégua na troca de acusações entre o Executivo e a oposição por esse último atentado, o mais grave desde a chegada de Macron ao poder em maio do ano passado.

A direita denunciou no princípio da semana a "ingenuidade culposa" em relação ao terrorismo do atual chefe de Estado e reivindicou "mão dura" no combate ao terrorismo, enquanto o governo advertiu contra a "rapidez" dos que prometem "risco zero" em resposta a essas críticas. EFE