Míssil russo atinge shopping ucraniano com 'mais de mil' pessoas dentro, diz Zelensky

Um míssil atingiu um shopping na cidade de Kremenchuk, no centro da Ucrânia, nesta segunda-feira, deixando ao menos dois mortos e destruindo completamente o edifício. O presidente Volodymyr Zelensky, que credita o ataque à Rússia, disse que havia "mais de mil pessoas" no local no momento do impacto e que é "impossível imaginar" o número de vítimas.

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De acordo com a Presidência ucraniana, além dos dois mortos, há mais de 20 feridos após o ataque aéreo, nove deles gravemente. Imagens mostram o centro comercial pegando fogo, com grandes colunas de fumaça e caminhões dos bombeiros.

As operações de resgate, afirmou no Telegram Kyrylo Tymochenko, chefe-adjunto do Gabinete presidencial do país, continuam no shopping, que ocupa um espaço aproximado de 10 mil metros quadrados.

Em uma mensagem postada no Facebook, Zelensky disse que o prédio "não representava nenhum risco para o Exército russo. Nenhum valor estratégico. Apenas a tentativa do povo viver uma vida normal":

"Os ocupantes dispararam um míssil contra um shopping onde havia mais de mil civis. O shopping está em chamas e as equipes de resgate combatem o fogo. O número de vítimas é impossível de imaginar", postou o presidente, junto com um vídeo. "É inútil esperar decência e humanidade da Rússia.

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Segundo o governador regional Dmytro Lunin, trata-se de um "crime de guerra" e um "crime contra a Humanidade", bem como um "ato de terror (...) cínico contra a população civil". Já Vitali Maletsky, prefeito da cidade que tinha 220 mil habitantes antes do conflito eclodir no dia 24 de fevereiro, afirmou que o míssil "atingiu um local muito movimentado sem qualquer relação com as hostilidades".

"Há mortos e feridos. Mais detalhes chegarão", disse Maletsky, no Facebook.

O Kremlin ainda não fez comentários sobre o ataque, mas nega mirar civis em suas "operação militar especial" — nome pelo qual chama a operação militar que completou quatro meses na última sexta.

Kremenchuk é uma importante cidade industrial no centro do país, na região de Poltava, às margens do rio Dnipro, onde há um grande porto fluvial. É também lar da maior refinaria de petróleo do país, a Ukrtatnafta.

Ocupada pelos nazistas por mais de dois anos durante a Segunda Guerra Mundial, teve mais de 90% de seus prédios destruídos. Durante a Guerra Fria, abrigou forças estratégicas do Exército e mísseis balísticos intercontinentais.

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O ataque ao shopping vem um dia após ao menos 14 mísseis russos atingiram Kiev na madrugada de domingo. Um complexo de apartamentos foi atingido no bairro de Shevchenkivskyi, perto do centro da cidade, deixando ao menos um morto e seis feridos.

No sábado, após semanas de duros combates, Severodonetsk foi "totalmente ocupada" pelo Exército russo. A conquista da cidade estratégica, na bacia do Donbas, no Leste do país, abre caminho para que o Kremlin amplie seu domínio na região, que compreende os territórios de Donetsk e Luhansk.

É uma das vitórias mais cruciais para o presidente Vladimir Putin desde que a invasão começou, há quatro meses. Seu papel é ainda maior desde que o Kremlin fez uma correção de rota, no fim de março: abandonou as grandes e frustradas ofensivas ao redor de Kiev, concentrando-se no Leste.

Em Luhansk, a única cidade que ainda não está sob comando russo é Lysychansk. De acordo com o governo local, que faz um apelo para que os civis deixem a área, há bombardeios e ataques constantes no local.

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O ataque ao prédio coincide também com o segundo e último dia do encontro do Grupo dos Sete (G7), grupo que reúne algumas das economias mais avançadas do mundo. Em uma participação convidada por videoconferência, Zelensky fez um apelo para que os mandatários "façam o máximo" para pôr um fim à invasão russa. Afirmou, porém, que "este não é o momento para negociações".

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