Móveis da extinta Editora Bloch vão a leilão com itens de Sergio Rodrigues

No dia 19 de junho de 1971, chegava às bancas a edição de número mil da revista Manchete. Fotos e textos descreviam, a partir da página 75, os meandros da Editora Bloch, o império midiático por trás da publicação e cuja sede, projetada por Oscar Niemeyer, era apresentada como a joia da coroa. Situado na Rua do Russel, na Glória, o enorme edifício abrigava, além das redações, um museu de arte, dois restaurantes, um hall monumental, piscina e um teatro com 500 lugares. Na legenda de uma das imagens, lia-se: “Na decoração interna, não houve preocupação de ostentação e de luxo, mas apenas bom gosto”.

Não era falsa modéstia. Boa parte do mobiliário levava a assinatura de dois dos maiores nomes do design nacional: Sergio Rodrigues e Joaquim Tenreiro. Ainda assim, a imponência do prédio não conseguiu barrar uma dramática falência do grupo, em 2000. Restaram histórias, disputas judiciais — e, agora, 90 lotes de móveis raros, muitos em jacarandá, que vão a leilão no próximo dia 16. “Foram adquiridos por um colecionador particular, na época da falência. Ele é aficionado pelo modernismo brasileiro e comprou tudo o que pôde”, conta Bernardo Carvalho, à frente da Leilão Design, que cuidará das vendas.

Também ficou a cargo dele e do sócio, Pedro Fonseca, a catalogação das peças. Todas vêm com o selo de propriedade da editora, mas algumas não tinham a assinatura dos designers. A dupla precisou, então, consultar acervos e catálogos para atestar as origens. “O Sergio Rodrigues era muito amigo da família, e a Bloch chegou a ter uma marcenaria em seu interior, cuja supervisão era do próprio designer”, conta. “Muitos móveis foram exclusivamente desenhados para o prédio.”

As peças disponíveis vão de banqueta a conjunto de cadeiras, passando por sofás com cinco metros de extensão, e os arremates, estima Bernardo, devem ficar entre R$ 1.200 e R$ 150 mil. A disputa será on-line (leilaodesign.com.br), mas as peças vão ganhar uma mostra presencial em São Paulo, antes das vendas. Afinal, uma vez compradas, certamente passarão a ser vistas exclusivamente por uma parcela ínfima da população.

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