Mônica Calazans diz que PT 'pecou' ao usar sua imagem e agradece Simone Tebet por ação

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 17.12.2021 - A enfermeira e candidata a deputada federal Mônica Calazans (PSDB-SP), primeira pessoa vacinada contra a Covid-19 no Brasil. (Foto: Ronny Santos/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 17.12.2021 - A enfermeira e candidata a deputada federal Mônica Calazans (PSDB-SP), primeira pessoa vacinada contra a Covid-19 no Brasil. (Foto: Ronny Santos/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A enfermeira e candidata a deputada federal Mônica Calazans (PSDB-SP), primeira pessoa vacinada contra a Covid-19 no Brasil, diz se sentir agradecida à presidenciável Simone Tebet (MDB) por fazer a defesa de sua imagem junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Como mostrou a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, a campanha do emedebista acionou a corte pedindo que seja retirada do ar uma propaganda eleitoral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que exibe a imagem de Calazans recebendo o imunizante. A ação afirma que o PT não poderia lançar mão de uma candidata do PSDB.

A propaganda petista que mostra a aplicação da vacina foi ao ar no sábado (27), durante o horário eleitoral. "Eu estava dormindo e começaram a me ligar falando que ele [Lula] usou a minha imagem", conta a enfermeira.

"Para a Simone Tebet, só tenho a agradecer. Ela, como mulher, está defendendo outra mulher. Achei isso de suma importância", diz a profissional de saúde.

Embora diga acreditar que a campanha petista devesse ter buscado seu consentimento antes de veicular a propaganda em rede nacional, Mônica Calazans contemporiza a escolha.

"Eles deveriam ter pedido autorização para usar a minha imagem. Por outro lado, entendo que ela tem um significado importante. Se não tivesse, não usariam. A assessoria [petista] pecou por um lado, mas tiraram um ponto positivo para prender a atenção", afirma à coluna Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

A campanha tucana da enfermeira, entretanto, não descarta entrar com uma ação por conta própria contra a propaganda do ex-presidente.

Nos últimos dias, Mônica Calazans cumpriu agendas em cidades paulistas como Tatuí e Jandira e em bairros da zona leste da capital em busca de votos. Entre as bandeiras de sua candidatura estão a defesa dos profissionais de saúde e o aumento de recursos destinados ao SUS (Sistema Único de Saúde).

Por sua experiência como enfermeira, ela diz que tem dedicado uma atenção especial à categoria durante suas visitas pelo estado de São Paulo.

Um dos pontos que mais têm abordado é a sanção do piso da enfermagem, alvo de contestação na Justiça por entidades patronais —algumas falam em prejuízos e apontam para a possibilidade de demissões em massa caso a lei não seja revista.

"Os empresários se mobilizam dessa forma falando que vão mandar embora, que vão diminuir quadro, mas eles têm que entender que todo hospital tem que dar condições para que os profissionais cuidem dos pacientes. E para que cuidem com qualidade", diz Calazans.

Candidata de primeira viagem, a enfermeira diz ter se encantado com o universo da política institucional após ter aulas com o RenovaBR, entidade privada dedicada ao preparo de pessoas para disputar cargos elegíveis. "Foi um divisor de águas", afirma.

"O Renova tem um discurso de que um político também tem que ir para a sala de aula. Acho que todos eles tinham que ter um reaprendizado do que é política", continua. Antes do início da campanha, ela também teve aulas de capacitação política oferecidas pelo PSDB.

A enfermeira afirma que o que mais motivou sua entrada na política foi acreditar que é possível fazer mudanças estruturais se houver "propostas que tragam benefícios para as pessoas". "Não é convencer as pessoas, é conscientizar da necessidade de mudança", afirma.