Mônica Martelli: 'A rotina do casamento faz a gente adiar o afeto'

Trazendo questões atemporais como os desafios - e as crises - de um casamento longo, as inseguranças e desejos femininos, Mônica Martelli estará de volta aos palcos cariocas com o espetáculo 'Minha Vida em Marte', sucesso de público e crítica, em 12 de janeiro de 2023, no Teatro Casa Grande.

Feliz com o retorno ao Rio, onde estreou com a peça pela primeira vez em 2017, a atriz fala com exclusividade à ELA sobre essa preparação e as semelhanças com a personagem Fernanda, uma mulher de 45 anos que, casada há oito e com problemas na relação, precisa enfrentar também a falta de libido e expectativas frustradas.

"Eu e ela não temos medo de rompimentos. O amor romântico nos prejudica no dia a dia, que é quando enfrentamos a realidade. A rotina é muito cruel", aponta.

Como está a expectativa para reestrear no Rio? Estou voltando pra cidade onde tudo aconteceu, que me acolheu (Mônica é de Macaé, no interior do estado) e mostrou ao Brasil quem eu era. Me emociona muito porque o Rio tem esse acolhimento, é onde cresci e fiz todas as minhas estreias.

Fez mudanças no texto original? Quando peguei o texto para ensaiar, foi com a intenção de mudar, afinal, o mundo está caminhando. Mas o que mais me impressionou é que não precisei mudar nada. Eu ia fazendo, lendo, e... está tudo aqui! É um espetáculo atemporal porque fala de sentimento. Quando falamos de amor, tristeza, alegria, expectativa, rejeição, medo, separação... a gente é atemporal e universal, não temos barreiras. O texto fala de uma mulher casada há oito anos, em crise no casamento e com o massacre da rotina, porque o amor romântico exige que a gente faça algo impossível de realizar.

Então, as angústias das mulheres continuam sendo as mesmas. Sim. Se você não está "in love", se não está recebendo flores ou transando toda semana, você acha que está em crise. O amor romântico nos prejudica no dia a dia, que é quando enfrentamos a realidade. A rotina é muito cruel. Ela é um massacre, porque o romantismo que a gente tem que alimentar nas relações vai ficando pra segundo plano. A rotina de um casamento faz a gente adiar o afeto. A pessoa está ali ao lado e você deixa pra amanhã o que pode fazer hoje. Cada vez mais buscamos entender as relações que a gente vive. É maior experiência que temos de autoconhecimento.

O que tem de parecido com a Fernanda? A gente tenta. Eu tento. Não tenho medo de romper, de dar um passo à frente ou querer ficar presa ao conhecido... na verdade, medo a gente tem, mas fazemos com medo mesmo.

O que surgiu de novo da época que você estreou pra cá? Hoje a mulher não atura um casamento a qualquer preço. A gente ainda aguenta muita coisa em nome de um casamento feliz, mas estamos cada vez mais nos libertando disso, entendendo que a relação amorosa ocupa um lugar muito importante na nossa vida, mas não é o único.

Durante todo o tempo que ficou em cartaz com o espetáculo, quais histórias, vindas das mulheres, mais te tocaram? As de dor de amor. É uma dor que temos que levar à serio, porque é uma pequena morte que você sofre, um luto, dependendo como a relação termina. Dói profundamente, porque existiu um investimento, um mundo que você idealizou. Já sofri muito por amor, mas nem por isso deixo de me jogar. Sei que lá embaixo tem um chão frio me esperando, mas gosto do mergulho, então continuo indo.

Os ingressos podem ser adquiridos em: https://www.eventim.com.br/artist/minha-vida-em-marte