Múcio, ex-ministro do TCU, é convidado para transição e cotado para o comando da Defesa

BRASÍLIA, DF, 28.11.2022 - GOVERNO-TRANSIÇÃO: O presidente eleito do Brasil, Lula, ao lado da presidente nacional do PT Gleisi Hoffmann (PT-PR), chega ao CCBB, sede do governo de transição, em Brasília, para reunião com seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), nesta segunda-feira. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASÍLIA, DF, 28.11.2022 - GOVERNO-TRANSIÇÃO: O presidente eleito do Brasil, Lula, ao lado da presidente nacional do PT Gleisi Hoffmann (PT-PR), chega ao CCBB, sede do governo de transição, em Brasília, para reunião com seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), nesta segunda-feira. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A equipe de transição convidou José Múcio Monteiro, ex-ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), para integrar o grupo que tratará de temas ligados à área da Defesa.

O convite foi feito por integrantes da cúpula do PT em nome do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda na semana passada.

Auxiliares de Lula dizem que o ex-integrante da corte de contas é cogitado para comandar o ministério ao qual estão subordinadas as Forças Armadas.

O futuro mandatário prefere um civil na pasta, a exemplo do que ocorreu em seus dois primeiros mandatos. Estratégia replicada por sua sucessora, Dilma Rousseff (PT).

Lula e José Múcio devem conversar nesta segunda-feira (28) em Brasília.

A composição do grupo técnico responsável pela Defesa -setor fortemente associado ao bolsonarismo e que tem resistências ao PT-- é um dos assuntos que esperam definição.

Os grupos de trabalho de Defesa e Inteligência estão atrasados em relação aos demais. O governo de transição já anunciou 30 colegiados técnicos e mais de 300 pessoas para compô-los.

Múcio já indicou a aliados que avalia que o ideal seria haver o anúncio do ministro e dos comandantes das Forças para que eles toquem a transição.

Amigo de Lula, ele integrou o TCU entre 2009 e 2020. Foi indicado para o tribunal pelo petista, então em seu segundo mandato. Na ocasião, o ex-ministro era um dos auxiliares do petista no Palácio do Planalto, no comando da Secretaria de Relações Institucionais.

Além da confiança de Lula, Múcio tem boa interlocução com partidos -foi deputado por mais de vinte anos- e setores da máquina administrativa. Presidiu o TCU entre 2019 e 2020, primeiros anos da gestão de Jair Bolsonaro (PL), e se aposentou antes do prazo compulsório, de 75 anos. Ele tinha 72 anos na ocasião.

Em dezembro de 2020, durante o 4º Fórum Nacional de Controle, evento que ocorreu via internet e contou com a participação do chefe do Executivo, Bolsonaro afirmou que Múcio, a que se referiu como amigo, tem comportamento conciliador e que busca consensos.

"Eu sou apaixonado por você, José Múcio. Gosto muito de Vossa Excelência", disse o presidente, que lamentou a aposentadoria precoce do então ministro, e afirmou que o ex-colega de Câmara seria bem-vindo se quisesse trabalhar no governo. Bolsonaro indicou o então ministro da Secretaria Geral da Presidência, Jorge Oliveira, para o lugar de Múcio.

A equipe de transição de Lula tem o desafio de arrefecer os ânimos em uma área que, sem precedente desde a redemocratização, entrou no centro do debate político.

Capitão da reserva, o mandatário transformou a sua relação com os militares em capital político. O presidente usou as Forças Armadas em sua estratégia para questionar a segurança e a eficiência do sistema eletrônico de votação.

Após a derrota de Bolsonaro, os quartéis do Exército se tornaram local de peregrinação e de manifestações de seus apoiadores, com pedidos de intervenção federal.

Mesmo diante da indefinição sobre nomes do grupo da Defesa, o que a equipe da transição espera destravar a partir desta segunda, aliados do presidente eleito já foram demandados a dialogar com integrantes das Forças Armadas.

Entre eles estão os ex-ministros Nelson Jobim, Celso Amorim, Jaques Wagner e a deputada Perpétua Almeida (PC do B-AC), que foi secretária da pasta na gestão petista.

Mesmo que esses nomes atuem em contatos informais, é possível que nem todos integrem o grupo de transição. Jobim, por exemplo, tem demonstrado a interlocutores o interesse de permanecer nos bastidores.