Música, cartazes e armas: americanos fazem festa e protestam enquanto aguardam resultado da eleição presidencial

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Foto: SPENCER PLATT / STF
Foto: SPENCER PLATT / STF

RIO — Quatro dias após a votação para decidir o novo presidente dos Estados Unidos, ainda não há um resultado definido. A demora para declarar um vencedor faz com que o país tenha, a cada dia, mais protestos. As manifestações, no entanto, contrastam: por um lado, há quem apoie o atual chefe da Casa Branca, Donald Trump, e reivindica a suspensão da contagem, além de alegar, sem nenhum embasamento, uma fraude eleitoral; por outro, os apoiadores do democrata Joe Biden pedem para que todos votos sejam contados e já fazem festas comemorando a dianteira do candidato na corrida.

Nesta sexta-feira, as ruas da Filadélfia, na Pensilvânia, ficaram lotadas de eleitores de Biden, que comemoravam o ex-vice ter passado à frente do presidente na apuração dos votos no estado. O clima era já de vitória, com direito a DJs que tocaram, entre músicas festivas, a brasileira “Baile de Favela”. Cartazes dizendo “Todos os votos contam” acompanhavam os da campanha do democrata, além de bandeiras dos movimentos LGBT+ e negro.

Os atos se estenderam até diante do centro de convenção da Filadélfia, onde está sendo feita a contagem dos votos. Além dos apoiadores de Biden, trumpistas marcavam presença, repetindo as alegações falsas do presidente sobre uma suposta fraude eleitoral e entoando: “Sem transparência, sem confiança.” Um dos manifestantes chegou a pedir para o democrata fosse preso. Os dois grupos foram separados por barreiras de contenção, e não houve registro de confronto.

Apesar da aparente tranquilidade, as tensões se elevaram na noite de quinta-feira, quando dois homens armados foram detidos perto do centro de convenção. As prisões foram feitas após a polícia receber a denúncia de que eles se dirigiam ao local de apuração com o objetivo de atacá-lo.

Já em Phoenix, no Arizona, desde a madrugada de quarta-feira manifestantes pro-Trump se reúnem em frente ao local onde os votos de todo o condado de Maricopa são apurados. Na tarde desta sexta, alguns se ajoelharam e rezaram por uma vitória do presidente. A cena contrastou com os momentos de tensão nos dias anteriores, quando parte da multidão — incluindo civis armados — tentaram forçar a entrada. Por isso, uma cerca ao arredor do prédio foi erguida e recebeu os dizeres “zona da liberdade de expressão”.

Os apoiadores de Trump também ficaram do lado de fora do centro de convenções de Detroit, em Michigan, onde, embora a vitória de Biden já tenha sido projetada no estado, cédulas enviadas pelo correio antes da votação continuam sendo contadas. Assim como nas demais cidades, gritavam “parem o roubo”. E, assim como nas demais cidades, havia gente armada.

Não só a revolta marcou os atos dos eleitores do presidente. Na Flórida, um dos estados conquistados por Trump, houve festa. Manifestantes foram às ruas vestidos com a bandeira americana e segurando cartazes com o rosto do republicano. Ainda assim, ao lado de roupas azuis, vermelhas e brancas, haviam uniformes militares e coletes à prova de balas.