Turquia protesta perante embaixador alemão por manifestação curda no país

Istambul, 19 mar (EFE).- O Ministério das Relações Exteriores turco citou o embaixador alemão em Ancara para se queixar da manifestação curda em Frankfurt, ontem, na qual foram exibidos símbolos do proscrito Partido de Trabalhadores de Curdistão (PKK), a guerrilha curda, anunciou neste domingo o porta-voz da presidência da Turquia, Ibrahim Kalin.

"Sob pretexto do Newroz - a festa da primavera curda, celebrada em 21 de março - levam bandeiras e cartazes de uma organização terrorista, em um comício 'pela liberdade e contra a ditadura'", denunciou Kalin durante uma entrevista à emissora "CNNTÜRK".

"É algo diretamente relacionado com a Turquia e o referendo", ressaltou Kalin, em referência à votação de 16 de abril na qual os cidadãos turcos votarão se entregam todo o poder executivo ao presidente, reforma idealizada pelo próprio chefe de Estado, Recep Tayyip Erdogan, e respaldada pelo partido governamental, o islamita AKP.

"Avisamos as autoridades alemãs, e elas não deram nenhuma resposta, portanto ontem à noite citamos o embaixador alemão e condenamos o fato da forma mais severa", disse o porta-voz.

"Sujam o nome do Newroz, que é também uma festa nossa", disse Kalin, sublinhando que a Alemanha tinha vetado há poucos dias a exibição de retratos do fundador da guerrilha, Abdullah Öcalan, que são mostradas de todas formas na manifestação.

Não só Ancara, mas também Alemanha e UE consideram o PKK uma organização terrorista, apesar de ser também relativamente habitual exibir nas manifestações retratos de Öcalan, preso desde 1999 com uma sentença de prisão perpétua, na ilha turca de Imrali.

Ontem, as autoridades anunciaram a permissão oficial para a celebração do Newroz em Diyarbakir, a 'capital' das regiões curdas da Turquia, um evento ao qual costumam comparecer centenas de milhares de pessoas. EFE