Música que vem diretamente do cérebro

Num festival de música eletrónica como o Nuits Sonores, em Lyon, o ambiente pode transformar-se muito rapidamente. Ainda mais havendo propostas inéditas, como a que assistimos no último dia do evento, este domingo.

Há oito elétrodos ligados ao meu córtex visual, que enviam continuamente sinais que vão modular o som em tempo real

Falamos de uma performance ao vivo, na qual o DJ utiliza também sons captados em tempo real, vindos diretamente do cérebro. É um conceito muito ambicioso, que facilmente associamos a um conto de ficção científica. E, no fundo, resume-se desta forma: dançar diretamente através dos pensamentos do artista.

Molécule (nome artístico de Romain De La Haye), DJ e produtor musical, explica o processo: "Coloco-me em frente a um instrumento que tem a forma de monólito. Tenho de estar muito concentrado, num estado próximo da meditação. Há oito elétrodos de eletroencefalograma ligados ao meu córtex visual, que enviam continuamente sinais que vão modular o som em tempo real".

"Há já alguns anos que estou a desenvolver um processo criativo que me leva a partes do globo terrestre onde a natureza se impõe. Vou com os meus microfones, os meus instrumentos, e instalo um estúdio no local. Há pouco tempo, fui ver as ondas da Nazaré, em Portugal, para gravar aquele fenómeno e todo aquele poder dos elementos e da natureza. Essas gravações são a base das minhas composições, dos meus álbuns", diz-nos Molécule.

E sem querer entrar na cabeça de ninguém, o princípio deste diálogo homem-máquina convida-nos a lançar infinitas possibilidades de criação.

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