Música relacionada a Bolsonaro tocada no carro de atirador teria motivado discussão com petista

A delegada Iane Cardoso, da Polícia Civil do Paraná, disse em entrevista coletiva neste domingo que no carro do agente penal José da Rocha Guaranho estaria tocando uma música relacionada a Bolsonaro quando ele estava perto do local da festa de aniversário do guarda municipal Marcelo Arruda, com tema do PT. A música teria então motivado a discussão entre eles, que terminou com a morte de Arruda, que chegou a revidar o tiro. Guaranho encontra-se internado no Hospital Municipal de Foz do Iguaçu.

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De acordo com Cardoso, o agente penal é diretor do espaço onde ocorria a festa. Um vídeo captado pela câmera de monitoramento do local da festa mostra o momento em que Arruda se defendeu do ataque a tiros de Guaranho.

— A informação que levantamos foi que estava ocorrendo uma festa temática do guarda municipal. Ele comemorava 50 anos de idade. O tema da festa dele era Partido dos Trabalhadores. Em um determinado momento, chegou um indivíduo no local em um veículo branco. De acordo com informações que coletamos, ele estava ouvindo uma música que remetia a Bolsonaro. O aniversariante, dono da festa, pediu para ele se retirar. Quando ele estava indo embora, acabou proferindo algumas palavras. O guarda municipal não gostou do que ele teria dito. Pegou uns pedregulhos, de acordo com o que a gente obteve de imagens, e arremessou contra o motorista do veículo, que saiu. Ele [Guaranho] sacou a arma ainda. Ele saiu do local falando que ia voltar. De fato, ele voltou. E quando ele retornou, ocorreu toda a tragédia — disse a delegada.

A Polícia Civil divulgou o vídeo da entrevista coletiva feita por Cardoso na tarde deste domingo. Assista:

A polícia investiga por que Guaranho foi até o local da festa, pois ao que tudo indica, ele não era convidado. No entanto, a investigação quer saber também se Arruda e Guaranho já se conheciam, pois o agente penal é diretor do local onde ocorria a festa. Segundo Cardoso, uma testemunha relatou que o atirador teria dito "Aqui é Bolsonaro". Na sequência, ela disse que Arruda teria pego alguns pedregulhos de uma planta próxima, e os arremessado contra o veículo de Guaranho.

— O que temos nas imagens é que chegou um indivíduo por volta das 22h40. Ele chega na festa, que estava ocorrendo ali, do guarda municipal. A gente consegue ver que ele fala alguma coisa. O guarda municipal chega perto, pede para o indivíduo se retirar. Ele dá ré no veículo e, quando ele vai sair, ele retorna e fala alguma palavra.

Assista: Vídeo mostra momento dos tiros em festa que culminou na morte de guarda municipal petista

Considerando os ânimos abalados dos envolvidos no caso, Cardoso informou que as testemunhas serão ouvidas pela Polícia Civil no decorrer da semana, incluindo a mulher de Guaranho, cujo depoimento está previsto para esta segunda-feira, e a mulher de Arruda. Também há previsão de fazer oitivas de todas as pessoas que estavam na festa. Até o momento, apenas uma pessoa prestou depoimento.

Os investigadores também vão analisar as imagens que mostram o momento dos tiros para identificar as pessoas que aparecem chutando Guaranho, quando ele já está baleado e caído.

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