Músico que tocaria na abertura dos Jogos renuncia após admitir bullying

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Músico Keigo Oyamada não vai mais tocar nos Jogos de Tóquio. Foto: Atsushi Tomura/Getty Images
Músico Keigo Oyamada não vai mais tocar nos Jogos de Tóquio. Foto: Atsushi Tomura/Getty Images

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O músico japonês Keigo Oyamada, 52, conhecido pelo nome artístico Cornelius, anunciou que não mais fará parte da equipe de criação da cerimônia de abertura da Olimpíada de Tóquio. 

A desistência acontece dias depois de uma polêmica antiga ser resgatada. Na década de 1990, o músico admitiu, em entrevista a revistas da época, que praticou bullying contra crianças com deficiência. 

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"Sinceramente, sinto que tais atos e linguagem devem ser criticados", afirmou Oyamada, acrescentando que se sente culpado há muito tempo e espera entrar em contato com as pessoas que intimidou para pedir desculpas pessoalmente. 

Oyamada, que iria compor algumas das músicas da cerimônia de abertura da Olimpíada, havia se desculpado anteriormente por ter intimidado pessoas com deficiência. Ele afirmou que "atualmente se dedica a atividades criativas com um alto senso de moralidade". 

O ressurgimento dessa história gerou muitos protestos nas redes sociais, com pedidos para que ele desistisse de participar da equipe de criação da festa de abertura. 

"Como uma pessoa que cometeu tais atos discriminatórios e violentos pode ser considerada qualificada para trabalhar nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos?", questionou um usuário do Twitter. 

As entrevistas polêmicas foram publicadas nas revistas Rockin'On Japan, em janeiro de 1994, e Quick Japan, em agosto de 1995. Nelas, Oyamada afirmava que havia intimidado colegas de classe com deficiência durante a infância, e "sem arrependimento". 

Apesar de reconhecer que as ações de Oyamada eram "inadequadas", os organizadores dos Jogos afirmaram que não retirariam sua música da cerimônia de abertura. 

"Considerando o momento, espero que ele continue a apoiar e contribuir", afirmou Toshiro Muto, CEO da Olimpíada de Tóquio-2020, no último sábado (17). 

A história, porém, revoltou o governo japonês. "Intimidação e abuso são atos que não devem acontecer e são totalmente intoleráveis, independentemente de a pessoa ser portadora de deficiência ou não", criticou Katsunobu Kato, porta-voz do governo do Japão. 

"Gostaríamos de entregar firmemente o espírito 'sem barreiras' para a promoção de uma sociedade inclusiva", acrescentou Kato, referindo-se aos Jogos Paraolímpicos, que começam em 24 de agosto. 

Até o editor-chefe da Rockin'On Japan, uma das revistas que veiculou a entrevista com Oyamada, pediu desculpas por dar voz ao abuso. 

"Foi a coisa errada a fazer do ponto de vista moral. Quero fazer um profundo pedido de desculpas a todas as vítimas e suas famílias, bem como àqueles que se sentiram ofendidos de ler essa história", afirmou o jornalista Yoichiro Yamazaki. 

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