Músico, treinador, cartola: por onde andam os jogadores dos EUA que marcaram a Copa de 1994

A seleção dos Estados Unidos marcou a Copa do Mundo de 1994, sediada no país, com uma equipe repleta de personagens peculiares dentro e fora de campo. Quase duas décadas depois, líderes daquele time -- como Alexi Lalas, Cobi Jones e Tab Ramos --, eliminado pelo Brasil nas oitavas de final em um jogo tenso, encontraram novas ocupações que vão desde comentarista e treinador de futebol até músico.

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Vários deles estão envolvidos na Copa do Catar, e acompanharão de perto a estreia dos EUA, nesta segunda-feira, contra País de Gales, às 16h (horário de Brasília). Confira abaixo por onde andam alguns dos principais nomes da seleção americana de 1994:

Alexi Lalas

O zagueiro icônico daquela equipe dos EUA, que se descreve como "orgulhosamente ruivo" em suas redes sociais, mantém como ex-jogador o estilo irreverente e despojado de sua trajetória nos campos. Em seu perfil no Twitter, Lalas costuma interagir de forma bem-humorada com seguidores e manifestar sua torcida ferrenha pela nova geração dos EUA.

Na manhã desta segunda-feira, por exemplo, ele publicou uma foto com a famosa pose do "Tio Sam" convocando a torcida para a seleção americana na estreia contra Gales, e usando seu bordão habitual nas redes: "Hello sunshine", uma expressão graciosa que poderia ser traduzida, de modo não literal, como "bom dia, flor do dia". Ele também já posou usando trajes tradicionais cataris.

Lalas tampouco se furta a responder questionamentos mais sérios de torcedores - por exemplo, sobre a situação política e de direitos humanos no Catar, sede da Copa do Mundo, para onde o ex-jogador viajou como comentarista do canal americano "Fox Sports". A alguns seguidores, Lalas criticou o que considera "hipocrisia" nas críticas ao país-sede. Em outra interação, elogiou a comida e as pessoas em Doha, mas lembrou possíveis problemas de infraestrutura e de trânsito durante o Mundial.

Lalas também seguiu uma carreira alternativa como músico: ele lançou, neste ano, seu novo álbum de rock, "Melt Away", e tem usado no Catar uma camiseta com referência ao desenho da capa.

Cobi Jones

Meio-campista da seleção dos EUA, e que chegou a ser contratado pelo Vasco após a Copa de 1994, Jones só pendurou as chuteiras em 2007, pelo Los Angeles Galaxy. Ele continua envolvido na rotina do clube, agora como apresentador de vídeos produzidos como pré-jogo do LA Galaxy, no qual analisa adversários e as prováveis estratégias em campo.

No fim de 2020, Jones iniciou uma carreira como "cartola" e concorreu a vice-presidente da US Soccer, a federação de futebol dos EUA. Numa disputa acirrada, ele chegou a ter a maioria dos votos no primeiro turno, mas acabou derrotado nas votações subsequentes por Bill Taylor. Meses depois, ele ingressou como diretor do conselho de uma entidade sem fins lucrativos, a US Soccer Foundation, voltada ao fomento do futebol nos Estados Unidos.

No Catar para acompanhar a Copa do Mundo, Jones postou em suas redes um encontro com Ivan Pierra, preparador físico da seleção dos EUA. Ele também se engajou na campanha de Los Angeles para sediar a Olimpíada de 2028.

Marcelo Balboa

Outro ex-zagueiro marcante daquela seleção de 1994, com seu corte de cabelo ao estilo mullets e bigode, Balboa viveu os melhores momentos da carreira após a Copa, atuando pelo clube mexicano León e pelo Colorado Rapids na Major League Soccer (MLS), a primeira divisão dos EUA. Recentemente, ele homenageou os dois clubes com uma tatuagem em seu braço direito, postada nas redes sociais.

Balboa hoje é comentarista da Copa do Mundo pelo canal mexicano TUDN, que também tem transmissão nos EUA, ao lado de nomes como o ex-zagueiro do Barcelona, Carles Puyol, e o ex-lateral argentino Javier Zanetti.

Tab Ramos

Conhecido por ter levado a cotovelada de Leonardo, que acabou expulso, no primeiro tempo das oitavas de final contra o Brasil em 1994, Tab Ramos hoje é "colega de equipe" de um titular daquela seleção brasileira, Mauro Silva. Ambos estão na equipe de comentaristas do canal americano Telemundo, com transmissão em espanhol, para a Copa do Mundo deste ano.

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Ramos, que hoje tem carreira de treinador, chegou a comandar a seleção sub-20 dos EUA e o Houston Dynamo, clube da primeira divisão dos EUA. Atualmente está no comando do Hartford Athletic, que disputa o USL Championship, a segunda divisão nacional.

Ramos, que fez Leonardo perder a cabeça em 1994, reagiu com irritação às vésperas da Copa do Catar ao ver uma publicação do programa de TV americano SportsCenter sugerindo que astros do basquete dos EUA, como LeBron James e Stephen Curry, disputassem o torneio de futebol. "Estou imaginando eles perdendo todos os jogos de 25 a 0", ironizou Ramos.

Tony Meola

O ex-goleiro titular da equipe que atingiu as oitavas de final como anfitriã da Copa de 1994 estava, na semana passada, pedindo dicas de onde assistir à estreia do Mundial do Catar no sul da Flórida. Meola, que aparece vestindo o uniforme de goleiro da seleção americana em suas redes sociais, é outro dos ex-jogadores que seguem acompanhando de perto o futebol nos EUA: ele é atualmente comentarista da emissora de rádio SiriusXM FC.

Até poucos meses atrás, Meola fazia parte da equipe de transmissão das partidas do Chicago Fire, time que disputa a primeira divisão dos EUA.

Bora Milutinovic

Uma seleção icônica começa por um treinador icônico: o sérvio Bora Milutinovic, um andarilho do futebol moderno que participou de cinco Copas do Mundo consecutivas por cinco seleções diferentes. Antes de treinar os EUA no Mundial de 1994, Milutinovic havia dirigido o México, anfitrião da Copa de 1986, a Costa Rica em 1990. Depois, treinou a Nigéria na Copa de 1998 e a China em 2002.

Discreto e pouco assíduo nas redes sociais, Milutinovic segue percorrendo o mundo. Após fazer parte em 2018 de uma equipe de estudos técnicos montada pela Fifa na Copa da Rússia, e que contava também com o brasileiro Carlos Alberto Parreira, Milutonovic tornou-se um conselheiro da família real do Catar para assuntos relacionados ao futebol, além de assistente técnico da Academia Aspire, mantida pelo governo catari.

Milutinovic chegou a se mudar para o país-sede da Copa, mas nunca ficou parado. Em 2019, por exemplo, fez uma visita ao CT do Corinthians - onde se encontrou com o ex-atacante Emerson Sheik, famoso no futebol catari. No ano passado, acompanhou um treino da seleção olímpica do Brasil antes da disputa dos Jogos de Tóquio.