Músicos são perseguidos no Egito, diz dançarina do ventre brasileira que fez vídeo com artistas condenados

RIO - Uma dupla de cantores egípcios foi condenada a um ano de prisão por um vídeo de 2020 em que dançam junto a brasileira Lurdiana Tejas, bailarina da dança do ventre e celebridade no país mulçumano. Em entrevista ao GLOBO, Lurdiana conta que não chegou a ser intimada durante o processo e que músicos egípcios tem sido alvo de perseguição.

— Eu não recebi nenhuma intimação, nada. Acredito que foi por eu não ser egípcia. Se, por acaso fosse e estivesse no vídeo, com certeza eu estaria sendo condenada — diz a dançarina, de 33 anos, que tem mais de 2 milhões de seguidores nas redes sociais.

Veja o vídeo, chamado de 'Você é o professor', abaixo:

A sentença foi dada no final de março. Além da prisão, a dupla de músicos deve pagar uma multa de US$ 540. Caso pague o dobro, pode ter a condenação ao cárcere suspensa. O caso ganhou repercussão internacional após a ONG Humans Right Watch (HWR) denunciar, nesta quarta-feira, o que classificou como uma violação da liberdade de expressão.

Para um tribunal de Alexandria, Hamo Beeka e Omar Kamal violaram 'valores da família' ao lucrarem com exploração da imagem de Lurdina Tejas. A HWR criticou a condenação e afirmou que o Egito tem usado conceitos mal definidos de 'valores de família' para praticar abusos e promover censura nas redes sociais. Segundo a dançarina, ela não foi ouvida durante o processo que terminou na condenação da dupla. — Os cantores do vídeo são de música mahraganat, um gênero bem popular no Egito e que está sofrendo perseguição do Sindicato dos Músicos. Eles não querem esse tipo de música circulando. Para ficar fácil de entender é como se fossem os cantores de funk e rap. É uma expressão bem do povo.

De acordo com a brasileira, que mora no país desde 2017, as perseguições a artistas do gênero se intensificaram nos últimos dois anos. Através do Sindicato dos Músicos, um órgão estatal, o governo consegue multar e até proibir os artistas de se apresentarem no país. Ao todo, 19 músicos teriam sido proibidos de se apresentarem publicamente no país.

Eles não são os únicos alvos do governo. Segundo a HWR, pelo menos 12 influenciadores egípcias foram alvos de condenações similares.

Mais de 2 milhões de seguidores

Nascida em Porto Velho, Rondônia, mas criada em Balneário Camboriu, em Santa Catarina, Lurdiana Tejas trabalhava como professora de dança quando decidiu se mudar para o Egito após receber propostas para se apresentar no país. Ela se tornou uma dançarina do ventre popular entre os egípcios ao participar de clipes musicais de artistas conhecidos no país.

Hoje, a brasileira, que mora no Cairo, acumula mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, além de participações em programas de televisão do país. Nas redes sociais, ela compartilha detalhes do seu dia a dia no Egito:

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos