"Macaca" e suástica: professora é alvo de injúria racial de alunos em escola de SP

Professora foi chamada de
Professora foi chamada de "macaca" e viu suásticas serem pintadas em carteiras - Foto: Arquivo Pessoal
  • Professora foi alvo de ofensas raciais na escola em que trabalha em São Paulo

  • Ela foi chamada de macaca e viu suásticas e símbolos nazistas serem pintadas em carteiras

  • Docente levou a denúncia à polícia e pediu que o colégio tome providências

Uma professora foi alvo de ofensas raciais nas últimas semanas em uma escola municipal na Zona Sul de São Paulo. Ela foi chamada de "macaca" e descobriu a presença de símbolos nazistas pintados em carteiras da instituição.

No dia 26 de outubro, Ana Koteban, de 41 anos, procurou a Polícia Civil para denunciar um caso de injúria racial na Escola Municipal de Ensino Fundamental e Médio Professor Linneu Prestes, no bairro Santo Amaro.

Naquele dia, Ana foi alertada por um colega de que na lista de chamada, na qual os professores colocam a presença ou falta dos alunos, algum estudante havia escrito a palavra "macaca" no espaço reservado para que ela colocasse seu nome.

“A pessoa escreveu na lista de presença exatamente na coluna onde eu escreveria meu nome porque ela pretendia que eu visse. Demonstra uma ousadia e confiança na impunidade", disse em entrevista ao g1.

A vítima procurou a direção da escola, mas se sentiu desamparada diante da falta de atitude. "Disseram que não havia como identificar quem fez", lembrou.

Ana procurou a polícia e decidiu usar as próprias redes sociais como meio de denúncia, três dias depois do ocorrido e sem qualquer investigação do colégio.

A professora deixou de dar aulas, em protesto, retornando somente na última terça-feira (8), quando a direção realizou a primeira ação de combate ao racismo. "É insuficiente, lento e tardio. Mas tenho que reconhecer que foi feito.”

Símbolos nazistas

A data coincidiu com uma manifestação de integrantes do grêmio estudantil para orientar alunos e cobrar posicionamento da direção após o caso de racismo.

Em meio ao ato, os estudantes encontraram símbolos nazistas desenhados em carteiras - como suásticas e as letras SS - em uma das salas nas quais Ana dá aula.

Os estudantes tiraram fotos, levaram o caso à direção, e, agora, a professora cobra novo posicionamento da escola.

"Isso pode sugerir que temos estudantes vinculados a grupos neonazistas. Se não tivermos estudantes que são membros de grupos de neonazistas, talvez que estejam sob influência dessa ideologia, seja por internet ou família”, apontou a professora.