Machismo do presidente do comitê organizador é 'problema sério' para Olimpíada, diz governadora de Tóquio

O GLOBO, com agências internacionais
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TÓQUIO. Os comentários machistas e sexistas feitos por Yoshiro Mori, presidente do comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio continuam repercutindo mal no Japão. Nesta sexta-feira (5), a governadora da capital japonesa, atletas, políticos e até o porta-voz do governo central se pronunciaram sobre o caso.

A governadora de Tóquio Yuriko Koike afirmou que Mori telefonou para ela e pediu desculpas pelos comentários machistas e sexistas que fez durante uma reunião com presença da imprensa na quarta-feira (3).

Koike também disse que os japoneses precisam revisar a participação feminina na sociedade e que Tóquio fará o possível para aumentar as oportunidades para as mulheres. Ela ainda afirmou que os comentários de Mori são um "problema sério" para os Jogos.

"A missão da cidade e do comitê organizador é preparar Jogos seguros, e agora estamos enfrentando um problema sério", disse Koike.

Em uma reunião do Comitê Olímpico Japonês na quarta-feira (3), Yoshiro Mori afirmou que reuniões com mulheres são muito longas porque elas falam muito e competem entre si. Ele também disse que, embora o comitê olímpico tenha mulheres entre seus integrantes, "elas sabem o seu lugar". O jornal Asahi Shimbun, um dos mais importantes do Japão, revelou os comentários de Mori.

A fala de Mori, que foi primeiro-ministro do país entre 2000 e 2001, tem causado furor nas redes sociais no Japão e no exterior. Antes de ligar para a prefeita de Tóquio, ele já havia se desculpado publicamente, mas afirmou que não pensa em renunciar ao cargo.

O Comitê Olímpico Internacional se pronunciou sobre o caso na quinta-feira (4) e afirmou que o pedido de desculpas de Mori resolvia o problema. Apesar disso, as críticas continuam e podem alienar ainda mais os japoneses da Olimpíada, que deveria ter sido realizada em 2020, mas foi adiada por conta da pandemia de Covid-19. De acordo com uma pesquisa recente, a maior parte da população é contrária a realização dos Jogos em julho de 2021.

O porta-voz do governo do Japão tentou dar o caso por encerrado, mas não se furtou a criticar Mori pelos comentários ofensivos às mulheres. Segundo ele, o governo do país entende que o Comitê Olímpico Internacional deu o problema por encerrado, mas "os comentários não deveriam ter sido feitos":

"Há todo tipo de crítica. Eu espero que as pessoas antendam que a preparação para os Jogos deve seguir com o entendimento e a cooperação de pessoas aos redor do mundo", disse o porta-voz em uma coletiva de imprensa.

Takuya Hirai, ministro responsável pela transformação digital, afirmou à agência de notícias Kyodo que não pode "imaginar o que o levou a fazer este tipo de comentário. É inaceitável."

Atletas e ativistas japoneses veem as declarações de Mori como um sinal de que a igualdade de gênero no esporte, e na sociedade japonesa como um todo, é um sonho distante.

"Eu senti raiva pela primeira vez", afirmou o jogador de futebol Shiho Shimoyamada no Twitter. "É absolutamente insignificante pedir desculpas por comentários que já foram feitos. A não ser que você realmente reconheça seu preconceito e tome medidas a esse respeito, eu acho que a mesma coisa vai acontecer outras vezes."

Uma petição online contra Mori tinha 12 mil assinaturas na manhã da sexta-feira (5). O Japão está bem atrás de outras nações desenvolvidas na promoção da igualdade de gênero:tem a 121ª posição entre as 153 nações pesquisadas em um estudo do Fórum Econômico Mundial.