Maconha aumenta o risco de batimentos cardíacos irregulares, diz estudo

O uso recreativo de drogas como maconha, metanfetamina, cocaína e opioides está associado a um aumento significativo no risco de fibrilação atrial, condição potencialmente fatal caracterizada por batimentos cardíacos irregulares. A conclusão é de um estudo publicado recentemente na revista científica European Heart Journal. Esse é o primeiro estudo a identificar a associação entre a cannabis e o risco da condição.

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Ao contrário da cocaína e da metanfetamina, que são estimulantes com ação já conhecida no sistema cardiovascular, não há mecanismo demonstrado pelo qual o uso de maconha cause arritmias cardíacas. O estudo não foi projetado para investigar como a maconha aumenta o risco da condição, mas uma das hipóteses é devido à inalação de partículas.

Evidências anteriores indicam que o material particulado – como do proveniente do cigarro – pode aumentar a probabilidade de um episódio de fibrilação atrial entre aqueles já diagnosticados com o distúrbio. Gregory Marcus, investigador principal do estudo, explica que a inalação de material particulado aumenta a inflamação, e a inflamação é um gatilho conhecido para a fibrilação atrial.

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“Também é intrigante considerar que as substâncias inaladas viajam diretamente dos pulmões para as veias pulmonares, que desembocam no átrio esquerdo, e que as veias pulmonares e o átrio esquerdo são especialmente importantes na geração da fibrilação atrial”, disse Marcus.

Para entender como as drogas recreativas podem afetar a probabilidade de fibrilação atrial (FA), os pesquisadores analisaram mais de 23 milhões de residentes da Califórnia que precisaram de intervenção médica entre 2005 a 2015. Destas, 132 mil pessoas relataram usar cannabis, enquanto uma proporção menor havia usado outras drogas: metanfetamina (98 mil pessoas), cocaína (49 mil) e opioides (10 mil).

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Ao longo desse período, quase um milhão de pessoas desenvolveram fibrilação atrial. Quando os pesquisadores analisaram o papel do uso de drogas no risco da condição, eles descobriram que a metanfetamina representou o maior risco, com 86% de aumento na probabilidade do problema cardíaco. Em seguida está o uso de opiáceos, com aumento de 74% no risco e a cocaína, com 61%. Mas a maconha não foi inócua. Seu uso aumentou o risco de fibrilação atrial em 35%.

“Apesar de apresentar uma associação mais fraca com a fibrilação atrial incidente do que as outras substâncias, o uso de cannabis ainda exibiu uma associação de magnitude semelhante ou maior a fatores de risco como dislipidemia, diabetes mellitus e doença renal crônica. Além disso, aqueles com uso de cannabis exibiram risco relativo semelhante ao daqueles com uso tradicional de tabaco”, escrevem os autores.

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A fibrilação atrial pode ser precursora de condições cardiovasculares mais graves. Por exemplo, o batimento irregular pode contribuir para a formação de coágulos nos átrios. Esses coágulos podem se romper e causar um acidente vascular cerebral (AVC) mortal. Os AVCs relacionados à fibrilação atrial causam mais de 150 mil mortes por ano e afetam cerca de 12,1 milhões de pessoas somente nos Estados Unidos. A equipe alerta que pacientes de alto risco devem ser alertados sobre o aumento do risco causado por essas substâncias. Em muitos países, incluindo alguns estados dos EUA, a cannabis é uma droga legal.

“Os esforços para reduzir o abuso de substâncias têm o potencial de reduzir as complicações cardiovasculares de longo prazo associadas à fibrilação atrial”, disse Marcus.