Ministro da Economia da Argentina renuncia em meio à crise

SYLVIA COLOMBO
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 07.02.2017: O presidente argentino, Maurício Macri, durante cerimônia de assinatura de atos, no Palácio do Planalto, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

Nicolás Dujovne, ministro argentino da Economia, anunciou neste sábado (17) sua renúncia do cargo que ocupava desde o começo de 2017. Em seu lugar assume Hernán Lacunza, que era ministro da Economia da Província de Buenos Aires, e também integrante do partido do governo.

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Os rumores de uma eventual saída de Dujovne ganharam força nos últimos dias.

Dujovne foi responsável por articular o impopular acordo de empréstimo do FMI (Fundo Monetário Internacional), de US$ 57 bilhões, em 2018.

A realização desse acordo com o FMI foi decisiva para ampliar a impopularidade de Macri, pois expôs que as dificuldades econômicas do país não estavam sendo vencidas pelo governo.

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Na ocasião, a inflação vinha em alta, e o acordo com o fundo buscava, entre outras providências, garantir recursos para dar estabilidade ao peso, que se desvalorizou 52% no ano passado. Entre especialistas, o país agora corre risco de voltar a viver a hiperinflação.

Outro problema foi o fato de Dujovne ter discordado das medidas anunciada por Macri para tentar reverter sua derrota política no domingo (11), quando perdeu para o candidato kirchnerista, Alberto Fernández, por uma diferença inesperada de 15 pontos e o país entrou em nova crise financeira.

As medidas vão contra a cartilha liberal de Macri e seus aliados, mas foram adotada na tentativa de reverter a perspectiva de derrota e dar novo fôlego à candidatura na disputa do primeiro turno, no próximo dia 27 de outubro. O pacote inclui cortes em impostos, congelamentos e aumento do salário mínimo.

Macri chamou Lacunza para conversar no início da tarde deste sábado. O ministro estava de férias, no sul do país, e pegou um avião para uma rápida reunião com o presidente. Ao deixar o encontro, o anúncio foi feito.

Para justificar sua oposição ao novo pacote, Dujovne argumentou que o FMI tende a discordar das medidas e interpretar que a Argentina não está cumprindo os requisitos do acordo, que incluem o compromisso de fazer ajustes fiscais e aumentar a arrecadação.

Macri, porém, temendo a derrota nas urnas, insistiu em soltar o pacote.

Dujovne também era muito atacado pela oposição, pois, em suas declarações de impostos, mostrava abertamente que seus bens familiares estavam todos em investimentos no exterior.

Hernán Lacunza, 49, é economista, formado pela Universidade de Buenos Aires, e já foi gerente-geral e economista-chefe do Banco Central argentino (2005-2010). É conhecido por sua lealdade à governadora de Buenos Aires, Maria Eugenia Vidal, e por seu alinhamento a Macri.

A seleção de um ministério da Economia sempre foi um problema para o presidente argentino. Inicialmente, foi chamado para o cargo o economista Alfonso Prat-Gay. Porém, por se destacar mais que o próprio presidente e por diferenças de opiniões, Macri decidiu substituí-lo por uma figura mais discreta, Dujovne. Lacunza, que assume a quatro meses do fim deste mandato, é ainda mais discreto que seu antecessor.