Atentado em Cabul e tensão Arábia Saudita-Irã marcam reunião regional em Bagdá

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Combatente talibã diante do local do atentado suicida nas imediações do aeroporto de Cabul (AFP/WAKIL KOHSAR)
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O presidente francês, Emmanuel Macron, fez um alerta neste sábado (28) contra a ameaça representada pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), durante uma reunião de cúpula regional em Bagdá, e destacou que a França permanecerá no Iraque independente da decisão dos Estado Unidos.

"Todos sabemos que não devemos baixar a guarda porque o Daesh (acrônimo árabe do EI) continua sendo uma ameaça", disse Macron em uma entrevista coletiva antes da reunião ao lado do primeiro-ministro iraquiano, Mustafa al-Kazimi, que destacou que "França e Iraque são aliados chave na luta contra o terrorismo".

Macron declarou mais tarde que a França permanecerá no Iraque para colaborar na luta contra o terrorismo.

"Quaisquer que sejam as decisões americanas, manteremos nossa presença para combater o terrorismo no Iraque, pelo tempo que o Iraque solicitar".

"Temos as capacidades operacionais para assegurar esta presença", completou o presidente francês.

Macron também anunciou o início de "discussões" com os talibãs para "proteger e repatriar as afegãs e afegãos" em risco desde a mudança de regime em Cabul, que aconteceu em 15 de agosto.

A reunião no Iraque foi organizada inicialmente para "apaziguar" as tensões entre as duas grandes potências regionais, o Irã xiita e a Arábia Saudita sunita, mas também teve que debater a situação no Afeganistão, onde um braço do EI reivindicou o ataque suicida de quinta-feira em Cabul que deixou dezenas de mortos.

"Permitirá fixar um marco para a cooperação na luta contra o terrorismo", declarou Macron.

Além do presidente francês, entre os participantes da reunião estavam os ministros iraniano, turco e saudita das Relações Exteriores, o presidente egípcio Abdel Fatah al Sisi, o rei da Jordânia Abdullah II, o primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos, xeque Mohammed bin Rashid Al-Maktum, e o chefe de Governo do Kuwait, xeque Sabah Al-Khalid Al-Sabah.

Há quatro anos, o exército iraquiano ainda lutava respaldado por uma coalizão internacional contra o EI, que seria derrotado no fim de 2017.

Agora, as células jihadistas do EI executam ataques pontuais. O último grande atentado reivindicado pelo grupo no país deixou mais 30 mortos em Bagdá em julho.

O EI "ainda dispõe de dezenas de milhões de dólares e, sem dúvida, vai continuar restabelecendo suas redes no Iraque e Síria", afirma Colin Clarke, diretor de pesquisas do Soufan Center, centro de estudos de geopolítica com sede em Nova York.

Macron, que deseja mostrar que a França ainda tem um papel na região, busca respaldar o Iraque, "um país central, essencial na estabilidade do Oriente Médio", segundo a presidência francesa.

Embora o EI seja um grande inimigo do Talibã, o que aconteceu no Afeganistão pode "estimular" o grupo extremista e motivá-lo a "demonstrar que ainda está muito presente no Iraque", disse Rasha al Aqeedi, pesquisadora do Newlines Institute dos Estados Unidos.

As relações do Iraque com o vizinho Irã também foram abordadas na reunião, assim como as tensões de Teerã com a Arábia Saudita devido ao conflito no Iêmen.

O Iraque quer desempenhar um papel de intermediário e recebeu nos últimos meses encontros a portas fechadas entre representantes das duas potências regionais.

Para um conselheiro do primeiro-ministro iraquiano, a presença dos chefes da diplomacia dos dois países no evento representa um "êxito".

"Não era nada fácil reunir no mesmo local sauditas e iranianos", disse uma fonte diplomática francesa.

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