Macron: arsenal nuclear da França 'contribui' para 'segurança' da Europa

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou nesta quarta-feira (9) que o arsenal nuclear da França "contribui" para a "segurança" da Europa, em um contexto de tensão com a Rússia por sua ofensiva na Ucrânia.

"Hoje, muito mais do que ontem, os interesses vitais da França têm uma dimensão europeia. Nossas forças nucleares contribuem com sua própria existência para a segurança da França e da Europa", disse ele.

Dadas em Toulon (sudeste), no contexto de um discurso sobre desafios estratégicos, suas declarações esclarecem uma polêmica gerada em 12 de outubro sobre a posição da França a respeito de um ataque nuclear "na região" da Ucrânia.

Em entrevista ao canal France 2, Macron assegurou que esse cenário não afeta os "interesses fundamentais" da França, semeando dúvidas sobre seu apoio aos países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e àqueles próximos à Ucrânia.

A França é a única potência nuclear da União Europeia (UE), após a saída do Reino Unido, e uma das poucas com essa capacidade de dissuasão na Otan. Um dos princípios da Aliança Atlântica é a defesa mútua em caso de ataque a um de seus membros.

Macron anunciou uma cúpula entre França e Reino Unido sobre questões de defesa para o primeiro trimestre de 2023, visando a fortalecer a relação bilateral e abordar "operações, capacidades, questão nuclear e campo híbrido".

Em um contexto de intensificação da luta para impor um discurso no mundo, após a guerra na Ucrânia, o presidente francês afirmou, também, que a “influência” será uma das “funções estratégicas” da Defesa francesa.

"Não seremos espectadores pacientes" ante a propagação de informações falsas, ou de narrativas hostis à França, frisou o chefe de Estado, que quer enfrentá-los, mas "como uma democracia".

Macron confirmou o fim da operação contra os extremistas Barkhane no Sahel e que mantém inalterado o dispositivo francês na área – cerca de 3.000 soldados –, após a retirada do Mali em agosto deste ano. Anunciou, ainda, uma nova estratégia para a África para dentro de seis meses.

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