Macron ataca projeto econômico de Le Pen em debate presidencial na França

Por María Elena BUCHELI
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(E-D) Os candidatos à presidência Jacques Cheminade, Philippe Poutou, Emmanuel Macron e Nicolas Dupont-Aignan, em La Plaine-Saint-Denis, em 4 de abril de 2017

O centrista Emmanuel Macron atacou nesta terça-feira o projeto econômico da ultradireitista, Marine Le Pen, em um inflamado debate televisionado no qual a acusou de provocar uma "guerra econômica" a três semanas das presidenciais mais incertas da história recente da França.

Este debate, que reuniu os onze candidatos que estão concorrendo para suceder o atual presidente, François Hollande, que depois de cair nas pesquisas desistiu de tentar um segundo mandato, adquire um interesse especial quando um terço dos eleitores ainda não decidiu em quem irá votar.

Praticamente empatados nas pesquisas de opinião com cerca de 25% das intenções de voto, Macron e Le Pen protagonizaram um ácido confronto sobre a saída da zona do euro prometida pela líder da extrema direita caso chegue ao poder, com a qual o caçula dos aspirantes acusou a candidata eurocética de provocar uma "guerra econômica".

"O que você propõe, senhora Le Pen, é uma diminuição do poder aquisitivo dos franceses, porque é o que significará a saída [da zona] do euro para os economistas e para os trabalhadores", acusou Macron, o candidato presidencial que com mais veemência defende o projeto europeu.

Para Marine Le Pen, o euro - que foi adotado como moeda única da União Europeia em 2002 - é o responsável pela perda do poder aquisitivo, pelo déficit comercial e pelo aumento dos preços na França.

Além de "restabelecer a moeda nacional", a candidata de ultra-direita propõe a convocação de um referendo para perguntar ao povo sobre a saída da França da União Europeia, o "Frexit", seguindo os passos do Reino Unido que votou em 2016 a favor do Brexit.

"Não quero deixar que se instale uma espécie de falso debate entre aqueles e aquelas que protegem os franceses dizendo 'saiamos da União Europeia' e os demais que são a favor de deixar que as coisas continuem como estão. A Europa protege", afirmou Macron, ex-ministro da Economia de Hollande.

- Candidatos minoritários levantam a voz -

François Fillon, o candidato do partido de direita Les Républicains, que caiu nas pesquisas para o terceiro lugar (com 17%) arrastado por um escândalo de supostos empregos fictícios pelo qual foi indiciado pela justiça, atacou a "ausência" do programa econômico de Le Pen.

"Como todos sabemos, uma grande maioria dos franceses não quer abandonar a moeda europeia, isto significa que na realidade a senhora Le Pen não tem uma política econômica", explicou o ex-primeiro-ministro de Nicolas Sarkozy.

As pesquisas mostram que apenas um terço dos franceses é a favor de abandonar o euro. Muitos deles temem que isto cause uma desvalorização da nova moeda nacional, o que afetará suas economias e aumentará a inflação.

O líder da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, admirador dos governos latino-americanos de inspiração bolivariana atacou o setor financeiro que considerou que "deve devolver o dinheiro" e "financiar um retorno ao pleno emprego" na França, onde o desemprego ronda os 10%.

Mélenchon figura em quarto lugar nas intenções de voto (15%), superando o candidato do governista Partido Socialista, Benoît Hamon, que nas últimas semanas foi abandonado por importantes figuras do movimento.

Como era esperado, os mais beneficiados com este debate televisionado foram os seis candidatos menos conhecidos pelos franceses, que aproveitaram esta ocasião para denunciar os "políticos corruptos" e um "sistema esgotado".

"Quero expressar a ira [...] contra os políticos corruptos, alguns nesta sala se reconhecerão", disse Philippe Poutou, um candidato operário, líder do Novo Partido Anticapitalista (NPA), em referência a Fillon e a Le Pen, ambos acusados por corrupção.

O partido de Marine Le Pen, o Frente Nacional (FN), é alvo de várias acusações de corrupção. A justiça abriu nesta terça-feira uma investigação preliminar em um caso de empregos supostamente fictícios no partido (FN) do conselho regional Nord-Pas-de-Calais, três meses depois de começarem uma investigação por suspeitas similares contra eurodeputados do partido de extrema direita.