Macron e Le Pen trocam ataques em único debate para 2º turno de eleição na França

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MILÃO, ITÁLIA (FOLHAPRESS) - A quatro dias do segundo turno da eleição presidencial na França, os candidatos Emmanuel Macron e Marine Le Pen se enfrentaram na noite desta quarta (20) no único debate entre eles desta campanha. Logo no começo, dois dos temas mais quentes, o poder de compra e a política externa, motivaram troca de ataques entre os candidatos.

Primeira a falar, a ultradireitista aproveitou o tema do custo de vida para repetir promessas que ocupam o centro de sua campanha, como a redução de impostos de 20% para 5,5% sobre combustíveis e eletricidade. O aumento dos preços nos últimos meses, pressionado pela alta na energia, é a maior preocupação atual dos franceses --a inflação anual é de 5,1%.

"Minha prioridade pelos próximos cinco anos será devolver o dinheiro ao povo francês", afirmou ela.

Macron, de centro-direita, criticou a medida, dizendo que uma redução permanente de imposto é ineficaz, e ressaltou a intervenção do governo para limitar a alta de preços em eletricidade e gás, no fim do ano passado --uma medida a qual Le Pen, e ele fez questão de citar o fato, votou contra no Parlamento.

O presidente defendeu ainda que a criação de empregos é a melhor forma de restituir o poder de compra da população. "Estudei seu programa e não encontrei a palavra 'desemprego'. Sinal de que estamos fazendo um bom trabalho", disse, com ironia, o candidato. A taxa de desemprego na França é de 7,4%, a menor em quase 14 anos.

No segundo bloco, sob o tema política externa, a Guerra da Ucrânia e a relação de ambos com o presidente russo, Vladimir Putin, ocuparam a maior parte dos embates. Le Pen condenou a invasão, a qual classificou como inadmíssível, e chegou a elogiar o adversário pelos "esforços na busca pela paz".

Mas se declarou contrária às sanções que atinjam a produção de gás e petróleo da Rússia, da qual a Europa é grande importadora. "Seria um enorme dano à população francesa." Macron tem se posicionado favorável a medidas contra o petróleo russo.

Em sua vez, o candidato aproveitou para atacar a adversária por suas ligações passadas com Putin, como o empréstimo que seu partido fez em um banco de Moscou em 2014, de cerca 9 milhões de euros. "Você depende do poder russo e do presidente Putin", acusou, lembrando também que ela reconheceu, em 2014, a anexação da Crimeia pela Rússia.

Em sua resposta, Le Pen lembrou das tentativas de aproximação promovidas por Macron, que recebeu Putin em Versalhes e Brégançon no início de seu mandato.

No debate sobre a política internacional e o comércio livre da União Europeia, o Brasil chegou a ser mencionado, quando e Pen acusou Macron de favorecer a importação de alimentos estrangeiros em detrimento de produtos franceses, citando frangos brasileiros, no contexto do acordo entre o bloco e o Mercosul.

Ele afirmou que seu governo foi contra a negociação por razões relacionadas ao não cumprimento de regras ambientais. O caso é de 2019.

Com duração de quase três horas, os candidatos também duelaram sobre políticas sociais, aposentadoria, meio ambiente, competitividade francesa, educação, segurança e governança.

O encontro, na véspera do segundo turno, ganhou relevância devido à campanha presidencial atípica deste ano, ofuscada nos últimos meses pela pandemia e depois pela guerra no Leste Europeu. Como efeito, especialistas avaliam que as propostas dos candidatos não ocuparam devido espaço no debate público, motivando o desinteresse de parte dos eleitores no primeiro turno.

A abstenção foi de 25%, a maior desde 2002.

Na pesquisa Ipsos divulgada nesta quarta, antes do debate, a corrida eleitoral aparece em situação estável: Macron está à frente, com 56,5% das intenções de voto, contra 43,5% de Le Pen. A vantagem do presidente subiu de 6 pontos percentuais, na véspera do primeiro turno, em 10 de abril, para 13 pontos.

Entre os eleitores que dizem que vão às urnas, 87% afirmam que estão decididos em relação ao voto de domingo.

O encontro, o oitavo debate presidencial na França desde 1974, foi precedido por uma negociação de mínimos detalhes entre as campanhas, que envolveu até a temperatura do ar-condicionado, em 19°C. Outro acordo foi em relação à diminuição de cenas em que o candidato aparece na tela mesmo quando não está falando. Em 2017, imagens de Le Pen folheando suas anotações em busca de dados teriam reforçado a percepção de que ela não estava preparada.

Além disso, sua atitude foi considerada excessivamente agressiva, e ela mesma considerou que sua atuação foi um dos maiores erros de sua carreira política.

Dessa vez, a ultradireitista diminuiu o ritmo de sua campanha de rua e televisiva nas 48 horas precedentes ao debate para se preparar com sua equipe. Macron, por sua vez, dedicou menos tempo, ao menos oficialmente, devido à sua agenda como presidente e às tratativas internacionais sobre a Guerra da Ucrânia.

Nesta terça, ele participou de videoconferência com líderes europeus e o presidente americano, Joe Biden.

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