Macron e outros líderes se colocam à disposição de Lula após ataque à democracia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Além das inúmeras manifestações de repúdio de chefes de Estado e ministros estrangeiros, que condenaram pelo Twitter os ataques à democracia em Brasília, líderes mundiais ofereceram outros tipos de auxílio ao país.

O presidente da França, Emmanuel Macron, por exemplo, enviou recado por canais diplomáticos se colocando à disposição para falar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ajudar da maneira que for necessária.

O governo dos Estados Unidos, além de condenar o ataque e tentativas de "minar a democracia no Brasil", ofereceram apoio às instituições, por meio de tuítes do assessor de segurança nacional, Jake Sullivan, e do próprio presidente Joe Biden.

O encarregado de negócios no Brasil, Douglas Koneff, que chefia a representação diplomática enquanto a nova embaixadora, Elizabeth Bagley, não assume, também transmitiu uma mensagem a Celso Amorim, chefe da assessoria especial da Presidência. O americano teria manifestado solidariedade ao governo brasileiro, lembrando que os EUA passaram por situação semelhante —a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, por extremistas apoiadores de Donald Trump que questionavam a eleição de Biden.

O presidente americano está no Texas, a caminho do México, onde vai se reunir com o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, que também condenou os atos no Brasil, e o premiê canadense, Justin Trudeau.

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, também enviou mensagem a Amorim se dispondo a ajudar. "As inúmeras declarações e mensagens de líderes estrangeiros mostram que a comunidade internacional está alerta e vai reagir a qualquer tentativa de golpe", disse o assessor de Lula. "Isso demonstra que esses extremistas estão totalmente isolados."

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, recebeu telefonemas dos chanceleres de Portugal, Espanha, Uruguai, Colômbia e Chile, e mais inúmeras mensagens por WhatsApp.

Segundo o Itamaraty informou na noite deste domingo (8), uma reunião bilateral e um almoço agendados com o chanceler do Japão, Yoshimasa Hayashi, nesta segunda-feira (9), continuam mantidos. O japonês chegou ao Brasil na hora das invasões ao Congresso, ao Palácio do Planalto e ao prédio do Supremo Tribunal Federal.

No Planalto, várias reuniões internas da Assessoria Especial agendadas para esta segunda devem ser canceladas, porque as salas de Amorim e do embaixador Audo Faleiro —assim como várias outras— foram depredadas.

Até as 20h deste domingo, a China não tinha se manifestado nem pelo Twitter da embaixada no Brasil nem pela chancelaria ou outros canais diplomáticos. O país asiático tradicionalmente silencia ou demora a se manifestar sobre instabilidade política em outros países.