Macron e Sánchez selam amizade franco-espanhola em Barcelona

O presidente da França, Emmanuel Macron, e o do governo espanhol, Pedro Sánchez, reúnem-se nesta quinta-feira (19) em Barcelona (nordeste da Espanha), em uma cúpula que busca fortalecer as relações bilaterais.

O encontro coincide com a grande manifestação esperada em Paris contra a reforma da Previdência do governo Macron, sobre a qual ele provavelmente falará na coletiva de imprensa com Sánchez às 10h (horário de Brasília), ou em um discurso à grande comunidade francesa em Barcelona.

Sánchez recebeu Macron às 7h (horário de Brasília), no Museu Nacional de Arte da Catalunha, onde ambos os líderes se reunirão antes de assinar um "tratado de amizade e cooperação" que a visa reforçar o relacionamento bilateral em questões como imigração, defesa, energia e juventude.

- Fortes vínculos -

Este tratado bilateral será o terceiro que a França assina na Europa, depois do acordo do Eliseu, firmado em 1963 com a Alemanha, e do acordo do Quirinal, fechado com a Itália em novembro de 2021.

"O que vamos fazer em Barcelona é muito importante, porque, no fundo, a vida linguística, cultural e econômica [entre os dois países] estava muito à frente da estruturação política. Temos uma verdadeira amizade com Pedro Sánchez e, portanto, vamos criar um marco em Barcelona", disse Macron ao jornal espanhol El País.

Desta forma, Paris quer destacar o fortalecimento de suas relações com outros vizinhos além da Alemanha, em especial no sul da Europa, em um momento em que o eixo franco-alemão da União Europeia (UE) apresenta fragilidades.

Madri enxerga esse encontro como o nível máximo das já "excelentes relações" entre os dois países, cujos líderes têm demonstrado posições conjuntas em vários temas nos últimos anos.

Macron também chega a Barcelona com o objetivo de estabelecer uma "linha comum com Madri" sobre a resposta que a UE deve dar à Lei de Redução da Inflação (IRA, na sigla em inglês), o plano de investimentos promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, para enfrentar a mudança climática.

O presidente francês quer uma ação contundente da UE para impedir a fuga de empresas europeias atraídas pelos auxílios americanos. No final de novembro, durante visita a Washington, Macron denunciou esses subsídios como "superagressivos".

Esse tom firme do presidente liberal francês em relação a Washington ainda não foi, porém, ouvido pelo presidente socialista do governo espanhol.

Em Davos, por exemplo, Sánchez se limitou, em entrevista à rede americana CNBC na segunda-feira (17), a destacar que a UE precisa "fazer seu dever de casa" e reformar sua própria política de subsídios para enviar a mensagem "de que a Europa e, claro, a Espanha, são um bom lugar" para investir.

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