Macron redobra ofensiva contra Le Pen em campanha eleitoral francesa

Por Anna PELEGRI
Macron durante debate contra Marine Le Pen, em 3 de maio de 2017, em Plaine-Saint-Denis

O centrista Emmanuel Macron redobrou nesta quinta-feira a ofensiva diante de sua rival à presidência da França, a ultradireitista Marine Le Pen, depois de reforçar sua condição de favorito em um virulento debate e de receber o apoio de Barack Obama.

O ex-presidente americano entrou na campanha a três dias do segundo turno para apoiar o ex-banqueiro de 39 anos, em um vídeo publicado on-line pelo partido do candidato, "Em Marcha!", nas redes sociais.

"Quero que saibam que apoio Emmanuel Macron", disse Obama. Estas eleições são de "uma importância capital para o futuro da França e os valores que defendemos", acrescentou o ex-presidente democrata.

Macron é comparado frequentemente na França com Obama, por sua juventude e carreira meteórica.

- Processo por difamação -

O candidato também apresentou nesta quinta-feira uma demanda depois que Le Pen insinuou durante o debate televisivo acompanhado por mais de 16 milhões de pessoas que tinha "uma conta offshore nas Bahamas".

A demanda, conta X, busca denunciar "por difamação qualquer pessoa que retome esta informação falsa", depois que foram constatados "rumores" na internet sobre uma suposta evasão fiscal de Macron.

"Espero que a gente não descubra que você tem uma conta offshore nas Bahamas", disse Le Pen no debate.

Macron, também ex-ministro da Economia, trabalhou para o banco Rothschild e seu escasso patrimônio levantou algumas dúvidas.

O debate entre os dois candidatos foi o mais virulento que se tem notícia na França. Macron chamou de "parasita" a líder da extrema-direita, que o acusou, por sua vez, de ser "complacente" com o fundamentalismo islamita.

Segundo uma pesquisa da rede francesa BFMTV, 63% dos telespectadores consideraram que Macron foi o "mais convincente" dos dois candidatos, um número similar às pesquisas sobre a intenção de voto no segundo turno de domingo.

- Ovos contra Le Pen -

Marine Le Pen "trumpetizou" o debate, opinou o jornal on-line Mediapart, cujo humor agressivo marcou sua campanha contra Hillary Clinton. A estratégia consistiu em "alternar insinuações, controvérsias e fórmulas de choque com certa agressividade".

A líder ultradireitista é a êmula de Trump, ao "multiplicar, assim como o presidente americano, as insinuações enganosas", escreveu o jornal Le Monde.

Le Pen, de 48 anos e líder da Frente Nacional (FN), julgou que o combate verbal havia "abalado um pouco os códigos" do tradicional debate entre os dois candidatos presidenciais.

"Era importante despertar os franceses", disse Le Pen, que nesta quinta-feira foi atacada com ovos por manifestantes quando visitava uma empresa no oeste da França.

Macron "não é um homem novo", "sai do governo" do socialista François Hollande, de quem foi ministro por dois anos, insistiu.

Macron é um defensor da globalização e acredita que a França só pode voltar aos trilhos no âmbito de uma maior integração europeia, incluindo econômica.

Le Pen, por sua vez, defende a realização de um referendo sobre a saída da UE, voltar ao protecionismo e fechar a França aos migrantes.

- O papel da abstenção -

Uma das incógnitas destas eleições é a abstenção, que pode ser 10 pontos superior às últimas de 2012, quando foi de quase 20%.

Boa parte do eleitorado do esquerdista Jean-Luc Mélenchon (19,6% dos votos no primeiro turno) se nega a escolher entre "a peste" e a "ira", e preconiza votar em branco ou se abster.

E para Alexis Corbiere, porta-voz do partido de Mélenchon, França Insubmissa, o debate "não mudou as coisas".