Macron pede resposta coordenada e rápida da UE contra o terrorismo

·2 minuto de leitura
A chanceler alemã, Angela Merkel, participa de uma coletiva de imprensa virtual sobre questões de segurança com o presidente francês Emmanuel Macron (na tela)
A chanceler alemã, Angela Merkel, participa de uma coletiva de imprensa virtual sobre questões de segurança com o presidente francês Emmanuel Macron (na tela)

O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu nesta terça-feira (10) que a União Europeia (UE) adote uma "resposta rápida e coordenada contra o terrorismo" após os recentes ataques na França e na Áustria.

"Precisamos de uma resposta coordenada e rápida contra o terrorismo", incluindo "o desenvolvimento de bancos de dados comuns" e um "fortalecimento das políticas criminais", disse Macron após uma mini cúpula europeia realizada por videoconferência com vários líderes da UE.

Macron também denunciou "o desvio do direito de asilo".

"Em todos os nossos países assistimos a um desvio do direito de asilo" que é utilizado "por traficantes", por "redes" ou pessoas "de países que não estão em guerra", afirmou numa coletiva de imprensa.

Além do austríaco Sebastian Kurz, que foi o único que viajou a Paris, participaram da reunião a chanceler alemã Angela Merkel, o primeiro-ministro holandês Mark Rutte, o presidente do Conselho Europeu Charles Michel e a presidente da Comissão Europeia Ursula von del Leyen.

Os líderes também discutiram a necessidade de travar uma "luta determinada contra a propaganda terrorista e o discurso de ódio na Internet", segundo Macron.

"A Internet é um espaço de liberdade, nossas redes sociais também, mas essa liberdade só existe se houver segurança e se não for o refúgio de quem despreza nossos valores ou tenta doutrinar com ideologias mortais", comentou o presidente.

Esta mini-cúpula foi organizada uma semana após o ataque jihadista em Viena, que deixou quatro mortos.

Esse ataque, o primeiro do tipo em décadas na Áustria, ocorreu em um contexto de forte ameaça jihadista em toda a Europa, especialmente na França, depois que o semanário satírico francês Charlie Hebdo republicou caricaturas do profeta Maomé.

Esses cartuns custaram a vida de um professor francês do ensino médio, morto em 16 de outubro por um checheno de 18 anos depois de mostrar os desenhos a seus alunos em uma aula sobre liberdade de expressão.

Menos de 15 dias depois, a França voltou a ser alvo de um ataque quando um tunisiano realizou um ataque com faca em uma igreja em Nice (sudeste), matando três pessoas, incluindo uma brasileira.

Desde então, multiplicaram-se os apelos para reforçar os esforços conjuntos a nível europeu contra o terrorismo.

A França, que assumirá a presidência da União Europeia (UE) por seis meses em 1º de janeiro, já anunciou na semana passada que dobrará o número de agentes de segurança desdobrados nas fronteiras e pediu uma revisão "profunda" das regras que regem o Espaço Schengen de livre circulação.

meb/jz/mr/cc