Macron e Xi defendem multilateralismo e pedem maior cooperação China-UE

Por Fabien ZAMORA
O presidente francês Emmanuel Macron (D) e o presidente chinês Xi Jinping antes de um jantar em Beaulieu-sur-Mer, perto de Nice, em 24 de março de 2019

O presidente francês, Emmanuel Macron, e seu colega chinês, Xi Jinping, pediram nesta segunda-feira uma maior cooperação entre a unidade da União Europeia (UE) e a China, em um contexto de nervosismo crescente com os enormes investimentos de Pequim no continente.

Falando no Palácio do Eliseu depois de conversações com Xi, Macron pediu por uma "forte parceria Europa-China", acrescentando que isso deve ser baseado no "multilateralismo forte" e no comércio "justo e equilibrado".

Já Xi disse que "uma Europa unida e próspera se ajusta à nossa visão de um mundo multipolar". "A China sempre apoiará a integração europeia e seu desenvolvimento", acrescentou em comunicado à imprensa.

Estas declarações seguiram a assinatura de uma dezena de acordos sobre energia nuclear, intercâmbios culturais, energia limpa e um enorme contrato para comprar 300 aviões do conglomerado europeu Airbus, dos quais 290 são aeronaves de médio alcance (A320) e outros 10 modelos intercontinentais A350.

A encomenda, originalmente de 184 A320s para 13 companhias aéreas chinesas, foi anunciada pela primeira vez durante a visita de Estado de Macron à China em janeiro de 2018.

Todos os acordos, incluindo um sobre as exportações francesas para a China de frango congelado, totalizam cerca de 40 bilhões de dólares.

Antes da assinatura desses acordos, ambos os líderes se encontraram com suas esposas Peng Liyuan e Brigitte Macron em frente ao túmulo do Soldado Desconhecido, pouco mais de um século após o fim da Primeira Guerra Mundial, quando 140 mil trabalhadores chineses participaram da França.

À noite, os dois mandatários participaram de um jantar de Estado com 200 convidados.

- Direitos humanos -

Além dos eventos oficiais, várias centenas de representantes das minorias "reprimidas" na China demonstraram em Paris a esperança de que a questão dos direitos humanos seja incluída na agenda da visita do presidente Xi à França.

"Justiça para os uigures", "pare o genocídio", diziam alguns cartazes.

"Queremos que Emmanuel Macron mencione as violações dos direitos humanos na China", disse uma jovem tibetana em um protesto de cerca de 500 pessoas na Praça dos Direitos Humanos, perto da Torre Eiffel.

Após a assinatura dos acordos comerciais, Macron disse que levou a seu colega chinês "as preocupações" da França e da Europa sobre o respeito aos direitos humanos na China.

"Tivemos discussões francas sobre essa questão", disse o presidente francês após se encontrar com Xi em Paris, referindo-se a "preocupações (da França) e da Europa sobre a questão dos direitos fundamentais na China", acrescentando que ele havia abordado "vários casos individuais ".

Na terça-feira, Macron e Xi terão um novo encontro, que também contará com a presença da chanceler alemã Angela Merkel e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, para explorar "pontos de convergência" antes de uma reunião UE-China em abril em Bruxelas.

Em uma entrevista ao jornal Nice-Matin, o presidente francês afirmou que a "relação entre os dois países é um dos elementos de recomposição de um novo multilateralismo (...) que nos permitirá estabelecer uma definição conjunta de uma nova ordem internacional".

A viagem do presidente chinês começou no sábado na Itália, que se tornou o primeiro país do G7 a assinar um acordo de participação no megaprojeto de infraestrutura chinês "Nova Rota da Seda".

A abertura italiana aos investimentos chineses inquieta vários líderes europeus, críticos do governo populista italiano e temerosos da crescente influência da China.