Macron reorganiza Gabinete após perder maioria absoluta no Parlamento

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O presidente da França, Emmanuel Macron, reorganizou seu Gabinete depois de perder a maioria absoluta no Parlamento no mês passado, mas fez poucas mudanças, em um sinal de que não conseguiu convencer as principais figuras da oposição a se juntarem à sua coalizão.

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O centrista de 44 anos manteve em seus cargos o ministro das Finanças, Bruno Le Maire, o ministro do Interior, Gérald Darmanin, e a ministra das Relações Exteriores, Catherine Colonna. Darmanin, no entanto, também ficará encarregado dos assuntos relacionados aos territórios ultramarinos da França.

Laurence Boone substituirá Clément Beaune como secretária de Estado encarregada de assuntos europeus. Boone era economista-chefe da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Antes disso, foi conselheira econômica do ex-presidente socialista François Hollande durante a crise da dívida da zona do euro e trabalhou como economista em várias instituições financeiras em Paris e Londres.

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Macron também decidiu manter Élisabeth Borne, sua ex-ministra do Trabalho, Ecologia e Transportes de 61 anos, como primeira-ministra. Embora tenha sido criticada por alguns em seu próprio partido por ser uma tecnocrata que não tem influência política, ela tem sido leal a Macron.

A vida política da França está efetivamente paralisada desde que Macron derrotou a líder de extrema direita Marine Le Pen na eleição presidencial de abril. Ele levou semanas para escolher um primeiro-ministro e montar seu Gabinete, que foi forçado a mudar após perder a maioria absoluta na Assembleia Nacional nas eleições legislativas do mês passado.

Outras mudanças

Clément Beaune, que deixou a secretaria de Estado e representa a ala de esquerda da República em Marcha, o partido de Macron, será o novo ministro adjunto dos Transportes, num momento em que trabalhadores de trens, aeroportos e aeronaves consideram uma greve para exigir aumentos salariais em linha com a inflação.

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Christophe Béchu, um aliado do ex-primeiro-ministro Édouard Philippe, foi promovido a ministro da Ecologia, enquanto o médico François Braun será o novo ministro da Saúde. Eles substituirão ministros que não conseguiram se eleger como como deputados em junho.

Franck Riester, de direita, ficará a cargo das relações com o Parlamento, sugerindo que Macron provavelmente se apoiará em seus aliados e no direito de governar. O presidente francês também optou por não renomear Damien Abad como ministro da Solidariedade, Autonomia e Pessoas com Deficiência, depois que ele foi acusado de violência sexual por duas mulheres, o que levou o Ministério Público a abrir uma investigação contra ele.

O presidente da Comissão de Regulação de Energia da França, Jean-François Carenco, foi nomeado ministro adjunto encarregado dos territórios ultramarinos. Isso significa que ele precisará ser substituído em meio à turbulência do mercado de energia e à medida que a França procura pressionar por uma nova regulamentação das usinas nucleares da Électricité de France SA.

‘Governo de ação’

Macron deu à primeira-ministra menos de duas semanas para apresentar o que chamou de “governo de ação” e sondar outros partidos em busca de acordos. Durante as reuniões com representantes de partidos rivais, porém, ela não ofereceu nenhuma concessão concreta, segundo os participantes. O próprio Macron havia descartado trabalhar, desde o início, com os partidos de extrema direita e da esquerda radical, a Reunião Nacional, de Marine Le Pen, e a França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon.

Sem um governo de coalizão, Macron agora será forçado a fazer alianças com dezenas de deputados de oposição se quiser garantir a maioria no Parlamento para promover suas reformas econômicas, como o aumento da idade de aposentadoria.

Um discurso de Borne ao Parlamento para apresentar seus planos políticos está previsto para quarta-feira. O novo Gabinete deve apresentar ainda um projeto de lei para apoiar o poder de compra da população nesta semana, que será debatido pela Assembleia Nacional a partir de 18 de julho, em um teste à capacidade de Macron de alcançar maioria nas votações do Parlamento. Algumas das medidas, como um pagamento único para famílias mais pobres, devem ter amplo apoio.

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