Madagascar é vítima da primeira fome ligada ao aquecimento global

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Povoado de Befeno, no sul de Madagascar, em 2 de setembro de 2021 (AFP/RIJASOLO)

O aquecimento global provocado pelo homem é a causa da fome que afeta Madagascar, a primeira do tipo, mas não a última, alertou um funcionário do Programa Mundial de Alimentos (PMA) nesta terça-feira (2).

Aduino Mangoni, vice-diretor do PMA em Madagascar, destacou por videoconferência, durante uma reunião das Nações Unidas em Genebra, que 30 mil pessoas sofrem com a fome na metade sul da ilha - afetada por uma seca sem precedentes em 40 anos - e mais de 1,3 milhão sofrem da desnutrição aguda.

Segundo ele, é a primeira fome causada pelo aquecimento global devido às atividades humanas. É também "a única fome relacionada à mudança climática na Terra", insistiu, destacando que as que afetam o Iêmen, o Sudão do Sul e a região etíope de Tigré hoje são causadas por conflitos.

"A situação é muito preocupante", disse, descrevendo as crianças "que só têm pele nos ossos" que encontrou num centro de nutrição durante uma recente viagem à região mais afetada.

A próxima colheita só será em seis meses e a situação se agravará até lá, alertou, lembrando que 500 mil crianças já sofrem de desnutrição, 110 mil delas de forma grave ou aguda e estão a um passo da morte.

O PMA precisa de 69 milhões de dólares para lançar a assistência necessária nos próximos seis meses.

No extremo sul da ilha, 91% da população vive na pobreza e a seca destruiu a capacidade de produção agrícola e pesqueira de que as famílias dependem para sobreviver, destacou recentemente um relatório elaborado pela Anistia Internacional.

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