Madrasta ofereceu feijão 'fresquinho’ à mãe de enteada morta

Envenenamento com feijão: a madrasta Cíntia ao lado de Fernanda, jovem de 22 anos que morreu há 2 meses após apresentar os meses sintomas de envenenamento. (Foto: Reprodução)
Envenenamento com feijão: a madrasta Cíntia ao lado de Fernanda, jovem de 22 anos que morreu há 2 meses após apresentar os meses sintomas de envenenamento. (Foto: Reprodução)

Cíntia Mariano, a madrasta suspeita de envenenar os dois enteados no Rio, além de orações em uma rede social, também ajudou a consolar a mãe de Fernanda Cabral, de 22 anos, oferecendo local com companhia para ela dormir e comida.

Segundo investigações, Cíntia Mariano pode ter agido de forma fria e até premeditada. É o que mostra de forma preliminar uma conversa obtida pela TV Globo. Em uma troca de mensagens pelo WhatsApp, a madrasta oferece até ‘feijão fresquinho’ para Jane Carvalho, mãe de Fernanda, cinco dias após a morte da filha.

— “Se quiser, pode vir pra cá, tá?”

— “Tá bom, meu amor. Qualquer coisa, também estou aqui”, responde Jane Carvalho.

— “Tem carne assada com salada de agrião. Levo aí para você”, diz Cíntia.

— “Não, obrigada. Quase não estou comendo”, diz Jane.

— “Tem feijão fresquinho. Tem que comer, Jane”, responde Cíntia.

Dois meses após a troca de mensagens entre mãe e madrasta, e a morte de Fernanda, o outro filho de Jane, Bruno Carvalho, passou mal após um almoço com um feijão na casa da madrasta.

Após o episódio e a coincidência dos fatos, Jane foi até 33ª DP, em Realengo e fez um registro de ocorrência que abriu a investigação.

A madrasta foi presa, teve sua prisão temporária de 30 dias confirmada pela Justiça e espera as investigações sobre o caso se desenvolverem.

A primeira linha de investigação do delegado é sobre o depoimento de Bruno, que contou sobre o tal feijão amargo e com pedrinhas azuis na casa de Cíntia, com a fala de um filho biológico dela, que disse que a mãe confessou ter envenenado os enteados. Além dos relatos de Jane e Adeilson, o pai dos jovens, que consideraram o comportamento da madrasta suspeito.

O feijão da casa de Cíntia, também foi analisado, cujo resultado não apontou nenhuma substância tóxica, mas não considera isso conclusivo, já que esse feijão pode ser diferente do que Bruno comeu.

Cíntia foi presa e teve sua prisão temporária de 30 dias confirmada pela Justiça. A madrasta é suspeita de tentar matar o enteado envenenando o feijão. (Foto: Reprodução)
Cíntia foi presa e teve sua prisão temporária de 30 dias confirmada pela Justiça. A madrasta é suspeita de tentar matar o enteado envenenando o feijão. (Foto: Reprodução)

Um remédio anti-pulgas encontrado na casa, também teve pedido de análise pelo delegado Flávio Rodrigues. Ele ainda vai se debruçar sobre o prontuário médico de Fernanda Cabral, com mais de 170 páginas, e espera interrogar os médicos que atenderam a jovem nos próximos dias.

Uma exumação do corpo de Fernanda, que teve a morte atestada por causas naturais na época, também deve acontecer em breve.

Com a denúncia do caso, investigadores foram até a casa de Cíntia e recolheram o feijão para análise, mas antes do resultado do exame, na quinta-feira (19), a madrasta tentou se matar.

Ela foi levada para o hospital, se recuperou e, na sexta-feira (20), foi levada para a 33ª DP para prestar depoimento, quando teve sua prisão decretada.

A análise do feijão não encontrou substâncias tóxicas, mas a polícia não tem confirmação se é a mesma comida ingerida pela vítima.

"A prisão temporária de 30 dias foi decretada por homicídio tentado, qualificado, com emprego de veneno. Tudo leva a crer que a motivação seria ciúmes do relacionamento do marido com os filhos naturais", disse o delegado Flávio Rodrigues, titular da 33ª DP.

Na delegacia, Cíntia permaneceu em silêncio, seguindo orientações do advogado. Mas em outro depoimento, um filho biológico de Cíntia contou à polícia que a mãe confessou ter envenenado Fernanda e Bruno com chumbinho, que é veneno usado para matar ratos.

"Uma mulher dessas não pode nem ser chamada de ser humano, isso é um monstro. Essa pessoa entrou na nossa vida quando meu filho tinha 4 anos de idade. Fazer isso com a irmã e depois fazer com meu filho, isso não é um ser humano, não é um ser humano", disse Jane Cabral, mãe dos jovens.

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