Madri e Barcelona ficam para trás no desconfinamento espanhol

Crianças acompanhadas por adultos andam em um parque em Madri, em 26 de abril de 2020

Madri e Barcelona ficarão por último no desconfinamento planejado pelo governo espanhol, que a partir de segunda-feira permitirá reuniões com familiares e reabertura de terraços em partes do país, anunciaram as autoridades de saúde nesta sexta-feira.

A Espanha, um dos países mais atingidos pelo novo coronavírus, desenvolverá até o final de junho um plano gradual de eliminação progressiva do desconfinamento, que será aplicado em diferentes ritmos nos territórios, dependendo da incidência da epidemia.

O Ministério da Saúde anunciou nesta sexta-feira que metade dos 47 milhões de espanhóis será capaz de avançar na segunda-feira nesta desaceleração.

A região de Madri, cujo governo local havia pedido para passar à fase seguinte apesar de ser o território mais punido pelo coronavírus, ficou de fora dessa seleção, com um terço das 26.299 mortes registradas no país.

"Pareceu-nos que não seria apropriado avançar de fase. Isso não é uma corrida", disse o ministro da Saúde Salvador Illa, cuja equipe reavaliará a situação em uma semana.

Grande parte da Catalunha, incluindo Barcelona, também terá que esperar, embora neste caso o governo regional tenha solicitado dessa maneira, diante do risco de um novo surto nesta comunidade.

Grandes áreas das regiões centrais de Castilla y León e Castilla-La Mancha, bem como algumas áreas de Valência (leste) e Andaluzia (sul) também não avançarão.

Por outro lado, moradores de cerca de metade da Espanha, incluindo cidades como Sevilha, Bilbao ou Saragoça, poderão encontrar grupos de até dez pessoas a partir de segunda-feira, se reunir em terraços com capacidade limitada ou ir a lojas sem precisar de agendamento.

Funerais e enterros e a reabertura de hotéis com áreas públicas fechadas também serão permitidos.

Agora "a disciplina social é mais necessária do que nunca", alertou o Ministro da Saúde. "Conseguimos depois de oito semanas de esforço coletivo para controlar a epidemia e, nesta fase de desconfinamento, o mais importante é consolidar esse controle", acrescentou.

Após um severo confinamento iniciado em 14 de março, a Espanha conseguiu controlar a propagação da epidemia, que já causou 26.299 mortes e quase 223.000 infecções diagnosticadas oficialmente, de acordo com o último relatório do Ministério da Saúde.

Nas últimas 24 horas, o número de mortos aumentou 229, um pouco acima dos 214 do dia anterior. Nos últimos dias, o número diário de mortos é de cerca de 200, longe dos 950 registrados no início de abril.