Madrinha de Kathlen afirma que PM voltou ao local para retirar cápsulas de balas

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Enquanto os tomadores de decisão não cumprem o papel de garantir vida para a população mais pobre e vulnerável do país, assistimos, atônitos, a bala acertar em cheio nossos corpos e sanidade. (Foto: Reprodução/Instagram)
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A caminho do velório de Kathlen Romeu, baleada em operação da Unidade de Polícia Pacificadora no Rio, Monique Messias falou com o Yahoo Notícias a respeito do caso. A madrinha da vítima contou que moradores da comunidade viram a PM retornar ao local do crime para retirar cápsulas de balas do chão, na intenção de ocultar os responsáveis pela morte da modelo. 

“Já que a história repercutiu tanto, vamos ver se conseguimos justiça de verdade”, afirmou, dizendo acreditar que a jovem foi baleada pela Polícia. 

A avó de Kathlen, segundo Monique, já havia alertado a respeito de operações na comunidade do Lins nos dias anteriores, afirmando que a área estaria perigosa. O crime ocorreu na esquina da rua onde Monique mora, entre as ruas Araujo Leitão e Sargento Jupir.

Ainda sobre a tarde de ontem, Monique contou que Kathlen caiu nos braços da avó, e que esta foi impedida pela PM de seguir na viatura junto da neta.

“A Kathlen era diferenciada na comunidade, a mãe dela lutou sozinha, desde pequena. As duas lutaram demais até conquistar o espaço dela”, conta.

Cinco policiais militares já prestaram depoimento na Delegacia de Homicídios (DH) da capital. A Polícia Civil também apreendeu 12 fuzis e nove pistolas da PM usadas no confronto.

Questionada, a PM-RJ se limitou a afirmar que "neste momento o caso que resultou na morte da jovem Katleen é alvo de investigação tanto pela DH quanto pela Corregedoria da Polícia Militar".

Protesto pedirá Justiça após morte de Kathlen

Foi convocado para hoje (9) um ato para pedir justiça pela morte. A manifestação ocorre às 16h na Rua Lins de Vasconcelos, na comunidade de mesmo nome, onde a jovem foi assassinada.

A deputada Dani Monteiro (PSOL), que também preside a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) convocou os atos em suas redes sociais e afirmou que “o que aconteceu com Kathlen é o sintoma de uma política de segurança pública que serve ao objetivo de deteriorar corpos negros”.

Quase 700 mulheres foram baleadas desde 2017 na Região Metropolitana do RJ

Quase 700 mulheres foram baleadas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro de 2017 até este ano. O levantamento consta na plataforma de dados Fogo Cruzado, e contabiliza tanto as vítimas baleadas em operação quanto as de homicídios.

Ao todo, foram 681 mulheres atingidas por disparos de arma de fogo, das quais 258 morreram. De 2017 para cá, 15 vítimas baleadas estavam grávidas; oito morreram.

"Rio precisa parar com a caça de pessoas negras nas favelas”, afirma Ouvidoria Pública

A Ouvidoria do Estado do Rio de Janeiro já está em contato com a rede de acolhimento da família de Kathlen. Segundo informações do órgão, os familiares de Kathlen foram até o IML esta manhã acompanhados por representantes da OAB-RJ. O ouvidor da Defensoria Pública, Guilherme Pimentel, afirmou que a família da vítima está atordoada.

“Este é um momento difícil em que eles precisam lidar com os trâmites legais depois do dia caótico de ontem. A comissão de direitos humanos vai atuar em parceria com a OAB para garantir que a família seja acolhida e receba todo o atendimento jurídico e psicossocial que precisarem”, afirmou Pimentel.