Madureira ganha novo salão dedicado ao cabelo afro

Adalberto Neto
Thalita Mello faz uma trança nagô na jornalista Ana Paula Schuch

RIO — Thalita Mello é daquelas que aprenderam a profissão na prática. Desde os 12 anos, trançava os cabelos das mulheres de sua família. Mãe, irmãs, primas... Todas passaram pelas mãos dela. Aos 20, começou a atender profissionalmente na garagem de sua casa. O negócio deu certo, cresceu e hoje funciona em dois pontos da cidade: na Barra e em Madureira. Essa é a história do Salão Império Black.

— Já usei o cabelo liso contra a minha vontade, para não sofrer racismo da sociedade. Ainda bem que as coisas mudaram. Com as redes sociais, o empoderamento negro ganhou voz e a cultura afro passou a ter uma notoriedade maior. Antes, quando eu usava trança, era motivo de chacota na escola. Hoje, a mulher preta que não usa o cabelo trançado é cafona — desabafa Thalita.

O ponto da Barra fica no Città Office Mall e foi inaugurado em fevereiro. Já o de Madureira foi aberto em junho, no Shopping dos Peixinhos. No negócio, Thalita é sócia do marido, Ivan Jr., que também já trabalhava com produtos para cabelos afro antes de abrir o salão:

— Fabrico esponja nudred, sou representante de uma marca de pomada, e em novembro vamos lançar uma linha especial para tranças, dreads e waves.

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