Maduro diz garantir abastecimento de oxigênio em Roraima e Amazonas

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Familiares de pacientes com covid-19 fazem longas filas para encher cilindros de oxigênio em Manaus, 19 de janeiro de 2021

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, disse nesta terça-feira (2) que está "garantindo" o abastecimento de oxigênio nos estados brasileiros de Roraima e Amazonas, na fronteira com a Venezuela, que sofrem com uma severa escassez do insumo.

"Já estamos garantindo ao estado do Amazonas e de Roraima, do Brasil, através de (a siderúrgica estatal) Sidor e da classe operária venezuelana suas necessidades de oxigênio", disse Maduro em um ato em Caracas, transmitido pela TV governamental.

"Hoje chegaram três gandolas (caminhões), estão carregando, e uma gandola sai para Roraima e duas para o Amazonas e voltam em seguida", continuou. "Isso a cada pouquinho, a cada semana, cada pouquinho, de acordo com as suas necessidades".

A Venezuela já enviou oxigênio ao Brasil, onde o governo do presidente Jair Bolsonaro não reconhece Maduro como presidente, mas sim o líder opositor Juan Guaidó.

Há pouco mais de duas semanas, vários caminhões carregados com oxigênio cruzaram a fronteira do estado de Bolívar (sul) rumo a Manaus, capital do Amazonas, em meio a uma severa escassez que deixou dezenas de mortos.

Estados amazônicos brasileiros, como Pará e Roraima, impulsionaram medidas para evitar uma crise similar à do Amazonas.

Roraima, que tem uma ocupação de 79% de seus leitos de terapia intensiva destinadas para doentes com covid-19, reabriu um hospital de campanha para aumentar sua capacidade.

O senador Telmário Mota (PROS/RR) pediu ao chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, que enviasse oxigênio ao estado para evitar um colapso do sistema de saúde.

Segundo as emissoras Band e CNN Brasil, o governo estatual também pediu ajuda à Venezuela com oxigênio.

"Tudo é possível quando há solidariedade, irmandade, cooperação, paz e amor entre os povos", disse Maduro, que governa um país castigado pela pior crise de sua história recente, com uma hiperinflação e sete anos de recessão.

Em meio ao desastre, o pessoal de saúde venezuelano foi afetado pela escassez de insumos médicos e material de proteção contra a covid-19.

Bolsonaro de fato ironizou o envio de oxigênio da Venezuela, mas não rejeitou a ajuda.

"Se o Maduro quiser fornecer oxigênio para nós, vamos receber, sem problema nenhum. Agora, ele poderia dar auxílio emergencial para o seu povo também. O salário mínimo lá não compra meio quilo de arroz", disse na ocasião Bolsonaro, cuja popularidade tem diminuído, devido à sua gestão da pandemia.

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