Maduro pode ser preso na Argentina? Entenda

Ditador venezuelano, Maduro é alvo de pedido de prisão por oposição argentina

Visita de Nicolas Maduro na Argentina é alvo de protestos e pedido de opositores do governo de Alberto Fernández para que seja preso. (AP Photo/Ariana Cubillos)
Visita de Nicolas Maduro na Argentina é alvo de protestos e pedido de opositores do governo de Alberto Fernández para que seja preso. (AP Photo/Ariana Cubillos)
  • Opositores ao governo de Alberto Fernández, na Argentina, pedem prisão de Nicolas Maduro, que visita o país;

  • Chances de detenção do ditador venezuelano são quase nulas em decorrência de tratados e política internacional;

  • Maduro tinha reunião com Lula (PT), mas encontro foi desmarcado por governo venezuelano.

Assim como o presidente Lula (PT), o presidente da Venezuela Nicolás Maduro também está em Buenos Aires nesta segunda-feira (23). Os dois até haviam marcado uma reunião, que foi cancelada posteriormente pelo lado venezuelano.

Alvo de protestos da oposição ao governo argentino, e até pedidos de prisão, as chances de uma possível detenção do ditador são praticamente nulas.

Segundo informações do blog de Sandra Cohen, do portal G1, a chegada de Maduro a Argentina resultou em protestos no domingo. Um advogado que representa duas venezuelanas vítimas de crime contra a humanidade chegou a solicitar à Justiça que o chefe de Estado seja convocado a depor sobre violações aos direitos humanos no país.

Mauricio Macri, ex-presidente da Argentina, chamou de vergonhoso o acolhimento de Alberto Fernandez, atual mandatário, a Maduro. Já o prefeito de Buenos Aires, Horácio Rodrígues Larreta, afirmou que não se pode ‘naturalizar’ que o presidente ‘abrace ditadores’. Ambos integram a oposição e tentam capitalizar a recepção ao ditador venezuelano.

Contudo, na prática, as manifestações têm pouco resultado. Cohen lembra que a Argentina é signatária de tratados internacionais que lhe conferem imunidade como chefe de Estado. Um deles é a Convenção de Viena da década de 1980.

A ex-ministra de Segurança Patricia Burrich chegou a notificar a DEA, agência antidrogas americana, pedindo a prisão de Maduro com base em um mandado de captura expedido pelos EUA contra o ditador venezuelano por suposta associação a um cartel de drogas.

Todavia, embora as sanções econômicas do governo americano ao país latino-americano ainda estejam em vigor, é pouco provável que Joe Biden queira um confronto com o regime venezuelano durante a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Assim, não há de valer a comparação que Bullrich fez entre a visita de Madura e a de Augusto Pinochet, em Londres, há 24 anos, quando o ex-ditador não estava mais no poder e foi detido pela polícia britânica.